Perícia da Polícia Federal complica defesa de Renan Calheiros

PF encontrou pontos na defesa apresentada que podem ser caracterizados como crime contra a ordem tributária

arrow_forwardMais sobre

SÃO PAULO – A perícia da Polícia Federal na defesa apresentada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), trouxe conclusões que complicam a defesa do senador, entre elas a possibilidade de Renan ter entregado ao Conselho de Ética notas ficais com indícios de fraude.

Os peritos encontraram nos documentos apresentados uma diferença de cerca de R$ 600 mil na venda de cabeças de gado declarada pelo senador, quase um terço do que afirma ter ganho com atividades agropecuárias desde 2003.

Pontos que caracterizam crime

Entre as várias “inconsistências formais” encontradas nas notas fiscais, a principal delas é a ausência ou a duplicidade do Selo Fiscal de Autenticidade, instrumento destinado ao controle da emissão dos documentos fiscais. Em duas notas não há o número do selo e em outra o número se refere a uma segunda nota. Esses pontos podem ser caracterizados como crime contra a ordem tributária, com pena prevista de dois a cinco anos de prisão, mais multa.

PUBLICIDADE

Além disso, também há divergência entre os compradores, quando as GTAs (Guia de Trânsito Animal) e as notas fiscais são cruzadas. “Grande parte dos destinatários do gado vendido, cujos nomes constam nas GTAs, não coincide com aqueles informados nas notas fiscais de venda apresentadas”, conclui a PF.

Votação adiada para a tarde

Por falta de quórum, o presidente do Conselho de Ética do Senado, Sibá Machado (PT), transferiu para as 17 horas desta quarta-feira a reunião do colegiado que tratará do processo contra o presidente do Senado.

Renan é acusado de repassar dinheiro à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha, por meio de Cláudio Gontijo, funcionário da construtora Mendes Júnior.