Entrevista JN

Perguntada se situação da saúde é minimamente razoável, Dilma admite que não

Durante entrevista ao Jornal Nacional, candidata petista evitou polêmicas e fugiu dos comentários sobre corrupção de seu governo.

SÃO PAULO – A presidente Dilma Rousseff, do PT, demonstrou dificuldades para enfrentar as perguntas feitas durante sua sabatina no Jornal Nacional, apresentada por William Bonner e Patrícia Poeta. Indagada sobre as condições da saúde pública, a petista admitiu que há muito o que melhorar e que este é um dos maiores desafios do Brasil. Segundo a presidente, seu governo lutou para conseguir atingir uma quantidade suficiente de médicos. “Primeiro chamamos médicos brasileiros, mas isto não foi suficiente. Não havia pessoas formadas o suficiente para atuar”, afirmou a presidenciável do PT. 

Apenas após uma segunda tentativa, com médicos do interior, que Dilma afirmou ter chamado os médicos cubanos, para então atingir a meta que gostaria de 14 mil médicos. Patrícia Poeta a interrompeu e questionou se a situação da saúde é minimamente razoável. “Não”, disse a presidente. Segundo ela, é preciso investir nas especialidades, com o aumento de médicos especialistas para conseguir elevar a rapidez em diagnósticos.

Corrupção: Assunto evitado à qualquer custo

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Questionada sobre os escândalos de corrupção em sua gestão, a petista disse que não comentaria sobre o julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), tentou afastar seu nome das denúncias e preferiu evidenciar os programas que teria estabelecido para propiciar mais transparência ao governo.

“Fomos o governo que mais estruturou combate à corrupção. A Polícia Federal ganhou imensa autonomia para investigar e para prender. Escolhemos com isenção os procuradores. Criamos a Controladoria Geral da União e a lei de acesso à informação”, explicou Dilma, buscando se desvencilhar das denúncias de corrupção que foram atribuídas à sua gestão.

Ainda questionada sobre os desvios de verba, a presidente destacou que nem todas as denúncias resultaram em constatação de culpa e punição pelo Poder Judiciário. “Algumas pessoas foram afastadas pela pressão da família”, afirmou Dilma. A candidata ainda evitou questionar as decisões e acusações feitas ao seu partido e disse que para ser presidente, ela não podia comentar decisões do Supremo, que tinha suas opiniões pessoais, mas que nunca falou nada a respeito e nunca vai falar.

Indagada sobre as indicações da base aliada, a presidente explicou que os partidos parceiros podem fazer exigências de indicação, mas que ela só aceita no seu governo pessoas que são íntegras, competentes e nas quais confia.

O assunto mensalão e a decisão do STF de condenar líderes petistas, como José Genoino e José Dirceu, foram mencionados por Bonner, mas a presidente se desvencilhou da questão e não respondeu à indagação. “Não faço nenhuma observação sobre julgamentos do STF. Não vou tomar posição que me coloque em confronto. Respeito a decisão da Suprema Corte e a autonomia do órgão”, disse Dilma. “Enquanto eu for presidente, não externo minha opinião sobre os julgamentos do STF”, completou.

Economia

Ao final da entrevista, a petista foi questionada sobre a inflação e o encolhimento da economia e garantiu que a economia brasileira apresentará melhora no segundo semestre deste ano, frente ao fraco desempenho dos seis meses imediatamente anteriores.

“Enfrentamos a crise pela primeira vez sem reduzir salários, sem aumentar tributos e sem desempregar”, afirmou a candidata à reeleição, acrescentando que os índices antecedentes sinalizam que haverá recuperação entre julho e dezembro de 2014.

Na conclusão de seu discurso, Dilma disse que foi eleita pelas melhorias feitas pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva e para dar continuidade a esse programa.

“Preparamos o Brasil para um crescimento mais produtivo e mais competitivo. Nós queremos continuar a ser um país com mais oportunidade e com uma classe média cada vez maior”, concluiu.