Delação explosiva

Peemebistas confirmam trecho de delação sobre Temer; Janot não deve pedir inquérito contra ele

Segundo o Globo, procurador-geral da República deve dizer que não cabe abertura de inquérito sobre Temer sobre acusação de que pediu dinheiro à campanha de Chalita; contudo, presidente interino também é implicado em outro ponto da delação

SÃO PAULO – Em meio às delações do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, envolvendo o presidente interino Michel Temer, a Procuradoria-Geral da República comandada por Rodrigo Janot ainda vai analisar se cabe ou não pedir abertura de inquérito para investigar denúncia de que o peemedebista teria pedido propina para a campanha de Gabriel Chalita em 2012.

Porém, informa o jornal O Globo, se recorrer aos mesmos critérios adotados em relação a Dilma Rousseff, a tendência de Janot será deixar as investigações para o período posterior à saída de Temer da Presidência da República. 

Pela Constituição, o presidente da República não pode ser investigado ou processado por ato anterior ao mandato em vigor. Sobre Temer os fatos são relativos às eleições de 2012, destaca o jornal. Temer foi reeleito vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff em 2014.

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O impacto da delação de Machado sobre o governo Temer é visto com cautela pelos analistas. Ela indica que a turbulência política continuará dando o tom e há constrangimento do novo governo em meio ao envolvimento do nome do presidente interino. Contudo, a análise é de que o governo do peemedebista tende a sobreviver. 

Porém, além do trecho envolvendo Chalita, Temer também é implicado mais vezes pelo presidente da Transpetro. Vale ressaltar que, de acordo com a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, ao menos um ponto da delação de Machado é confirmado por pessoas que viveram os bastidores do PMDB em 2014, que diz que Temer reassumiu a presidência do partido para arbitrar a distribuição de R$ 40 milhões encaminhados pelo PT, depois de caciques da Câmara reclamarem que só senadores eram beneficiados. Naquele ano, os deputados de fato ensaiaram uma rebelião por esse motivo e culpavam Valdir Raupp, então presidente, pela divisão desigual.

Fora desde 2012, Temer retomou o posto na sigla em 16 de julho de 2014. À época, a Câmara era presidida por Henrique Alves. Eduardo Cunha liderava a bancada.