Paulo Guedes diz que mundo vive um “tsunami de conservadorismo”

Em painel, ex-ministro apontou mudanças na ordem mundial, com a geopolítica assumindo protagonismo e democracias sob ameaça, e defende que o Brasil aproveite suas vantagens estratégicas

Victória Anhesini

Paulo Guedes, ex-ministro da Economia (Foto: Edu Andrade/Ascom/ME)
Paulo Guedes, ex-ministro da Economia (Foto: Edu Andrade/Ascom/ME)

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O ex-ministro da Economia e sócio fundador da gestora YvY Capital, Paulo Guedes, afirmou nesta terça-feira (25) que o mundo vive um “tsunami de conservadorismo”, marcado pelo que ele descreve como um “colapso da ordem mundial” estabelecida após a Segunda Guerra Mundial.

Durante um evento promovido pela UBS Wealth Management, Guedes explicou que essa nova fase coloca a geopolítica no centro das atenções, substituindo a economia liberal como força dominante.

“Agora é geopolítica na frente, conservadores na frente, liberalismo no banco de trás e socialistas fora da conversa”, declarou o ex-ministro.

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Na visão de Guedes, essa transformação abriu espaço para novas ideias, impulsionadas por um cenário de insegurança política, social e econômica. “As pessoas querem proteção, querem segurança. Não é normal você sair de casa sem saber se vai voltar. Não é normal não ter segurança política, de propriedade, de vida”, afirmou.

Ele também destacou que as democracias, e não o capitalismo, estão sob ameaça. “Quem está balançando são as democracias, não é o capitalismo. O Ocidente perdeu potencial enquanto o Oriente ganhou”, analisou, citando o exemplo da China, que “mergulhou no capitalismo e tirou 700 milhões de pessoas da miséria”.

Para ele, o Brasil pode se beneficiar desse novo tabuleiro global, desde que reconheça seu papel estratégico. Ele explica que o Brasil vai ser disputado pela geopolítica daqui para frente, que exigirá que o país “saía do muro”. O ex-ministro ressaltou que o problema do país não é econômico, mas político e psicológico. “Nós temos tudo: energia limpa, alimentos, território, gente boa. Só falta acreditar no Brasil”, concluiu.

“Desordem mundial”

Guedes definiu o período pós-Segunda Guerra como “a ascensão e o auge das democracias liberais”, em que o comércio global e o avanço tecnológico criaram um ambiente de prosperidade e interdependência entre os países.

Segundo o ex-ministro, essa ordem, baseada em democracia e mercados abertos, começou a ruir com a invasão da Ucrânia pela Rússia e a intensificação dos conflitos no Oriente Médio.

“A emergência de uma ordem liberal foi celebrada como se a espécie humana tivesse se tornado uma só. Achava-se que todos estávamos rumo à democracia”, relembrou.

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No entanto, Guedes acredita que esse ciclo chegou ao fim. “A arbitragem global acabou. O mundo é agora dominado por forças nacionais, estratégicas e militares. A economia virou reativa”, concluiu.