Na corda bamba

Pasadena foi só o começo: 4 maus negócios da Petrobras que vieram à tona em 2014

Okinawa, Abreu e Lima, Pasadena e ativos da Africa: estes foram os quatro maus negócios que afetaram ainda mais a imagem da Petrobras

SÃO PAULO – A Petrobras (PETR3;PETR4) sempre foi apontada como a empresa dos brasileiros e, apesar de controvérsias sobre a sua gestão, a imagem da estatal ainda se mantinha. Contudo, com diversos escândalos afetando a companhia nos últimos meses, a visão dos brasileiros sobre a empresa foi bastante danificada, tendo como ponto central de eclosão o caso da refinaria norte-americana de Pasadena, que ganhou novo desenrolar no final de março. 

Apesar de já ter causado polêmica faz algum tempo, o ápice da polêmica em Pasadena se deu após reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo” revelar que a presidente Dilma Rousseff aprovou em 2006, quando era ministra da Casa Civil e então presidente do Conselho de Administração, a compra de 50% da refinaria. 

E, ao justificar a decisão ao jornal, Dilma disse que só apoiou a medida por ter recebido “informações incompletas” de um parecer “técnica e juridicamente falho”, o que suscitou diversas investigações e pedidos de esclarecimentos a diretores da Petrobras. Confira estes e outros “maus negócios” feitos pela Petrobras:

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Refinaria de Pasadena
No final de março, ganhou destaque a polêmica sobre a compra de Pasadena pela Petrobras. E um dos seus pontos mais emblemáticos foi a chamada cláusula de “put option”, a qual Dilma Rousseff alegou não saber que existia, após dizer que aprovou o negócio com base em relatório “falho” e que omitia essa cláusula na época em que era presidente do conselho de administração. 

A compra da refinaria de Pasadena por US$ 1,2 bilhão, ganhou destaque, uma vez que o valor ultrapassa vinte vezes mais que o valor justo pela unidade no Texas. 

Em 2006, a Petrobras pagou US$ 360 milhões por metade da refinaria, valor muito superior ao pago em 2005 pela belga Astra Oil pela refinaria inteira, em US$ 42,5 milhões. Em 2008, a Petrobras e a Astra Oil iniciaram uma disputa judicial, fazendo com que a empresa comprasse a fatia que pertencia à companhia belga, o que totalizou um valor bilionário que a estatal brasileira teve que desembolsar. 

Abreu e Lima
Conforme destacou matéria da Reuters de meados de abril, a polêmica envolvendo Pasadena deve apontar que, provavelmente, as investigações estão mirando a refinaria errada. 

De acordo com a reportagem, a Petrobras está pagando bem mais por novas refinarias no Brasil. É o caso da Refinaria do Nordeste (Rnest), perto do Recife, a primeira a ser construída no Brasil desde 1980. Com capacidade de 230 mil barris por dia, deverá custar US$ 20 bilhões até ser inaugurada, dentro de alguns meses.

Cada barril de nova capacidade de refino da Rnest custará cerca de US$ 87 mil à Petrobras, sete vezes mais do que em Pasadena, e duas a três vezes mais do que em refinarias modernas semelhantes que estão sendo construídas em outras partes do mundo. Desde que Dilma aprovou a construção da refinaria no Nordeste, no período em que foi presidente do Conselho da empresa (2003-2010), seu custo mais do que quadruplicou.

A Petrobras, incapaz de atender à demanda doméstica por combustíveis com as refinarias locais, precisa importar derivados de petróleo e sofre prejuízos com isso por causa dos controles de preços no mercado interno.

Por isso, é essencial para a empresa obter mais capacidade de refino a custo baixo, especialmente porque seu plano quinquenal de expansão, num valor de US$ 221 bilhões, está mais focado na exploração de petróleo. Os custos elevados contribuem para fazer da Petrobras a mais endividada e menos lucrativa entre todas as grandes companhias petrolíferas mundiais, ressaltou a reportagem.

Refinaria de Okinawa
Além de Pasadena, a aquisição da refinaria de Okinawa, no Japão, também registra resultados um tanto frustrantes. A Petrobras comprou, em 2007, uma fatia de 87,5% na refinaria japonesa ao custo de US$ 52 milhões, em uma transação fechada com a Tonen General Sekiyu, subsidiária da Exxon Mobil. 

A refinaria teria capacidade de produzir 100 mil barris por dia, o que justificaria os investimentos da estatal na região. Porém, em meio a restrições técnicas e ambientais, além de regras de segurança impostas pelos japoneses, a Petrobras já sabia que a refinaria não poderia atingir a capacidade de 100 mil barris, conforme a própria companhia destacou ao jornal Valor Econômico na semana passada. Ao jornal, a estatal afirmou, por meio de nota, que “a valoração para compra desta refinaria” teria se baseado no processamento máximo de 50 mil barris por dia.

Em 2010, a estatal chegou a fazer um plano de readequação de Okinawa, de forma a ajudar a refinaria a se preparar para processar petróleo pesado, em projeto executado pela Odebrecht, sendo desembolsados mais US$ 91,3 milhões pela refinaria. O plano, contudo, foi deixado de lado pela presidente da Petrobras, Graça Foster, decidiu excluir o Japão do contrato com a construtora. 

Na semana passada, em audiência na Câmara, a presidente Graça Foster destacou que a refinaria japonesa segue no plano de desinvestimento da estatal, mas o negócio não será fechado este ano. “Também está na nossa pauta de desinvestimentos. Temos propostas, avaliamos, mas achamos que este ano, até este final de ano, a gente pretende manter essas refinarias conosco para poder responder com segurança”, afirmou a executiva.

Petrobras Africa
No último domingo, a Folha de S. Paulo destacou que uma troca feita pela então presidente Dilma Rousseff no comando da estatal no início de 2012 mudou o rumo de um negócio bilionário que a estatal analisava: a venda de seus poços na África. 

O negócio passou a ser tocado por um subordinado da presidente da Petrobras, Graça Foster e, no ano seguinte, o BTG Pactual (BBTG11) pagou US$ 1,5 bilhão para ficar com metade das operações da África detidas pela estatal o que foi visto com desconfiança porque a gestão anterior avaliava os ativos por um valor quatro vezes maior. 

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Em março de 2012, executivos avaliaram uma proposta que permitia captar US$ 3,5 bilhões com a venda de 25% dos ativos. Se o plano fosse adiante, eles avaliavam que 50% dos poços da Nigéria, Tanzânia, Angola, Benin, Gabão e Namíbia poderiam valer US$ 7 bilhões.

O projeto apresentado previa a criação de uma nova empresa para reunir todas as operações na África, que abriria capital, separando poços promissores do resto da empresa, que viu suas ações registrarem forte desvalorização no governo Dilma. O valor da Petrobras Africa, a nova companhia, era de algo entre US$ 11 bilhões e US$ 17 bilhões, mas o plano nunca chegou a ser testado. Com a mudança nos planos, foi realizado um leilão internacional, sendo que apenas o BTG e a Cepsa prosseguiram. O BTG acabou levando a melhor no leilão, levando metade por US$ 1,5 bilhão, destaca o jornal.