Eleições

Partidos de Kassab e Maluf oficializam apoio à reeleição de Dilma

PSD aprova reeleição de Dilma com 108 votos a favor, contra apenas 6 contra; PP teve maiores barreiras para oficializarem o apoio, mas Maluf declara que decisão foi "natural"

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SÃO PAULO – O PSD e o PP oficializaram nesta quarta-feira (25) apoio à candidatura de Dilma Rousseff à reeleição.

O PSD, criado pelo então prefeito de São Paulo e atual presidente da legenda, Gilberto Kassab, aprovou em convenção nacional a candidatura da atual Presidente da República. A Executiva Nacional do PP do deputado federal Paulo Maluf (SP) também apoiou a candidatura de Dilma à reeleição, mas liberou os diretórios estaduais para fazerem coligações diferentes se quiserem.

O PSD aprovou o apoio a Dilma Rousseff com 108 votos favoráveis, de um total de 114 votos; questionado sobre o empenho efetivo de correligionário na campanha de Dilma, já que em diversos Estados o PSD tem fechado alianças com siglas adversárias do PT, Kassab afirmou que a decisão de apoiar a presidente nacionalmente reflete a vontade do partido.

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“Se não tivesse o empenho ou a vontade de que o partido apoiasse, o Diretório não se manifestaria a favor dela”, disse o presidente do PSD antes do anúncio oficial do apoio decidido pela convenção.

Logo após o anúncio dos votos do partido, em manifesto lido na presença da Presidente, Kassab se disse preocupado com a “guerra civil verbal” que tem percebido.

Em tom preocupado, mas em uma tentativa de “acalmar os ânimos”, Kassab declarou que: “A onda de intolerância que atinge a sociedade brasileira tem um potencial altamente destrutivo. A exaltação do ódio entre grupos e a tentativa de reviver uma insensata luta de classes são extremamente preocupantes”, disse o atual presidente da legenda. “Essa beligerância que remete a uma retórica eleitoreira ultrapassada revela sinais também preocupantes.”

Logo após Kassab, foi a vez de Dilma afirmar que a campanha eleitoral que se aproxima exigirá “serenidade” de todos os aliados, referindo-se ao PSD como um partido que “contribui de forma decisiva para paziguar ânimos”.

“Essa campanha, ela vai exigir muito de cada um de nós…. Exigir principalmente serenidade de nós, para que nós não aceitemos provocações que buscam rebaixar o nível do debate, que buscam acirrar o antagonismo, levando o antagonismo a um nível rasteiro de mentiras, de más informações”, afirmou Dilma. “Muitos temem a radicalização que pode estar a caminho. Mas uma candidatura que tem muito o que mostrar, muitas ideias para discutir, não precisa fazer campanha negativa.”

No último sábado, na convenção que formalizou sua candidatura à reeleição, Dilma já procurara baixar o tom no discurso, dizendo que “nossa campanha tem que ser uma festa de paz” e que “nunca fiz política com ódio”. Isso depois das reações bastante irritadas de petistas aos xingamentos sofridos pela presidente na abertura da Copa do Mundo, em São Paulo.

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O PSD de Kassab – que foi eleito vice-prefeito de São Paulo numa chapa encabeçada por um dos maiores adversários do PT, José Serra (PSDB), de quem se tornou próximo – tem apoiado o governo Dilma nas votações no Congresso e ocupa a Secretaria da Micro e Pequena Empresa; o partido conta com um das maiores bancadas na Câmara, o que é contabilizado na distribuição dos segundos da propaganda eleitoral gratuita.

O apoio do PP
Já no caso do apoio à reeleição da Presidente declarado pelo PP, a decisão não foi tão tranquila. Pouco antes, a convenção nacional do PP terminara sob muitos protestos depois da aprovação de uma resolução que delegava à Executiva a decisão sobre a posição do partido na eleição nacional.

Várias lideranças defenderam na convenção que o PP não apoiasse Dilma, optando pela neutralidade na disputa pelo Palácio do Planalto, apesar de o PP fazer parte da base governista e comandar o Ministério das Cidades.

“Nós queríamos aqui a neutralidade”, disse a senadora e candidata ao governo do Rio Grande do Sul, Ana Amélia. “Não aceitamos um prato feito, uma decisão de cima para baixo”.

Para o deputado federal Paulo Maluf (SP), o apoio a Dilma era a decisão natural: “Nacionalmente vamos apoiar a Dilma Rousseff porque acho que é a melhor candidata”, disse. “Ela e (o ex-presidente) Lula nos deram o Ministério das Cidades; quem governa junto tem que esta junto na campanha eleitoral”.

(Com Reuters)