Paralisação de produção na Líbia deve levar petróleo para a casa dos US$ 110

Segundo Goldman Sachs, relevância das reservas do país na composição da Opep preocupa e traz pressão no ritmo da oferta

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SÃO PAULO – A instabilidade política na Líbia afetou os ânimos do mercado, causando fortes oscilações nas cotações do petróleo. A onda de protestos parece não recuar, aumentando a incerteza do mercado quanto ao possível despecho da situação. Para o Goldman Sachs, esse cenário pode reduzir a capacidade de reserva da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), desestruturando a relação entre oferta e demanda e impulsionando o barril da commodity.

A Líbia desempenha um papel importante junto à Argélia e ao Irã no mercado. Os países são membros do cartel e produzem mais de 1,5 milhão de barris por dia. Segundo a análise do Goldman Sachs, o consumo dos três países supera metade da capacidade efeitva de reserva da Opep.

Interrupção da produção e seus efeitos
Para Michele della Vigna, Arjun N. Murti e Henry Morris, analistas do banco de investimento, o corte na produção de petróleo na Líbia, em sua totalidade, poderia reduzir a capacidade de reserva da Opep para 1 milhão de barris por dia, contra os atuais 3 milhões de barris por dia estimados pelo Goldman para este ano. Segundo os analistas, esse é o pior cenário possível, mas não é totalmente irrealista, dada a atual situação no país.

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Mesmo com essa redução, a demanda global seria atendida sem maiores problemas e o recente nível de estoques poderia servir como um “colchão” para choques de curto prazo. Porém, os analistas ressaltam que esse nível de reserva em 1 milhão de barris por dia é exatamente o nível que preocupou o mercado em 2007 e 2008, impulsionando as cotações até US$ 150 por barril.

Sendo assim, embora a situação possa ser controlada no curto prazo, uma interrupção prolongada da produção da Líbia – o oitavo maior produto dentro da Opep – poderia trazer sérias consequências, dado que a capacidade de reposição é muito pequena. Esse cenário, a longo prazo, provocaria uma rápida necessidade para o racionamento de preços da demanda e uma queda forçada no consumo, o que os analistas estimavam para 2012.

Para os analistas, o agravamento da situação pode levar o petróleo aos US$ 110,00, em um cenário muito conservador. Por consequência, empresas do setor alavancadas no preço da commodity, e com pequena exposição ao norte da África, poderiam tirar alguma vantagem do movimento de alta no curto prazo. Porém, em uma análise mais detalhista do longo prazo, esse rápido aumento do óleo poderia causar uma reação negativa na demanda, o que seria potencialmente prejudicial para o setor, aumentando ainda mais a volatilidade e o custo de capital.

Sete chaves para o setor
Por fim, os analistas separaram sete temas que devem colocar o setor de energia em posição de outperform (desempenho acima da média do mercado).

Segundo eles, a elevação no preço do petróleo, as novas descobertas de bacias, a subvalorizada exploração de alto impacto, o desenvolvimento de recursos para exploração, o aperto da capacidade dos serviços, os spreads que devem beneficiar refinarias de alta complexidade e a sustentabilidade de retornos para as grandes empresas são os principais pontos para analisar nesse segmento.

Dentre as brasileiras bem listadas que oferecem grande exposição a esse cenário, aparecem a OGX (OGXP3) e a Petrobras (PETR3;PETR4).

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