Para Société Générale, nova eleição no Japão é o cenário mais provável

Combinação entre partidos majoritários é improvável, o que pode não ser bem recebido pelos mercados de ações e títulos locais

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SÃO PAULO – O atual cenário político japonês e a perspectiva de alterações na composição do governo devem trazer mudanças para o país, mas o impacto sobre o mercado financeiro depende em larga medida da coalizão formada, segundo o analista Takuji Okubo, do Société Générale.

Após mais de meio século no poder de forma praticamente contínua, em 2009 o LDP (Partido Liberal Democrático) foi derrotado pelo DPJ (Partido Democrático Japonês), que agora enfrenta dificuldades para a aprovação do Orçamento para o ano fiscal de 2011, seria obrigado a apresentar sua renúncia e convocaria novas eleições. “Os recentes anúncios políticos nos levaram a concluir que o atual governo provavelmente será forçado a convocar uma nova eleição”, afirma Okubo.

Melhor combinação…
O analista avalia que a probabilidade de novas eleições sejam convocadas neste ano é de 60% a 70%. Assim, considerando os desfechos mais prováveis, a melhor combinação do ponto de vista do mercado financeiro seria uma possível coalizão entre o LDP e o DPJ, cuja chance de que seja formada “não é pequena, embora seja considerado um cenário de risco positivo ao invés de um cenário principal”.

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Apesar de serem partidos historicamente opostos, Okubo destaca que as propostas políticas apresentadas pelo DPJ em 2009, quando o partido chegou ao poder, modificaram-se “e as principais políticas do atual DPJ tornaram-se bastante semelhantes àquelas do LDP”.

O ponto positivo de uma coalizão entre os dois maiores partidos japoneses, além da forte maioria que teria no âmbito parlamentar, seria a continuidade da reforma fiscal que o atual primeiro-ministro iniciou. “O surgimento de um governo favorável à reforma e consolidação fiscal poderia ser positivo tanto para as ações de empresas japonesas como também para os títulos do governo japonês”, avalia Okubo.

… não é a mais provável
Entretanto, essa coalizão entre o LDP e o DPJ não é o desfecho mais provável, segundo o analista. Essa chance maior cabe a uma possível combinação entre o LDP, o Komei e algum outro partido, com destaque para o SDP (Partido Social Democártico) nesse terceiro posto.

Tal coalizão “não será bem recebida pelo mercado financeiro”. Okubo destaca que tanto o Komei, terceiro maior partido japonês com tendências conservadoras, quando o SDP, que é um partido com políticas mais esquerdistas, devem apresentar plataformas contrárias a reforma fiscal nas eleições. Além disso, a maioria que esse governo teria seria estreita.

Nesse cenário, o analista avalia que o LDP até poderia manter sua proposta de reforma, mas a implementação imediata seria “improvável”, atrasada pela oposição do Komei e do SDP.

Uma terceira coalizão possível seria a combinação entre o LDP com o Your Party, partido formado em 2010 que apresenta plataformas reformistas. Segundo o analista, essa poderia ser uma combinação melhor, “uma vez que suas políticas compartilham elementos do liberalismo econômico”.