Condenado no mensalão

Para que Pizzolato volte, Brasil promete tratá-lo “melhor” do que de outros prisioneiros

Brasil e Itália travam uma disputa pelo ex-diretor de marketing do BB, que está na Europa em meio às alegações sobre as péssimas condições carcerárias no Brasil

SÃO PAULO – Não é de hoje que Brasil e Itália têm uma disputa sobre onde o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil (BBAS3), Henrique Pizzolato, irá cumprir a sua pena. Condenado no Brasil a 12 anos e 7 meses de prisão por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro, Pizzolato fugiu para a Itália em setembro de 2013, mas foi preso em Maranello em fevereiro de 2014.

Desde então, ficou preso em Modena, mas foi solto no em outubro, após julgamento que negou pedido de extradição do Brasil. Ao negar a extradição, o juiz aceitou os argumentos da defesa de que os presídios brasileiros não ofereciam condições de segurança necessárias para Pizzolato, que também é italiano. Mas o Brasil quer reverter essa justificativa.

Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, o Brasil garante à Itália que Pizzolato terá um tratamento melhor do que os demais presos no País, assim como teria ocorrido com outros condenados do mensalão. O argumento será utilizado na próxima quarta-feira (11), quando a Corte de Cassação da Itália julgará o pedido de extradição feito pelas autoridades brasileiras.

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O pedido será para que Roma “relativize” as conclusões da ONU (Organização das Nações Unidas) e de ONGs sobre o sistema prisional brasileiro,que apontam para “graves violações de direitos humanos” em prisões no País e apresentou “garantias diplomáticas” de que a vida de Pizzolato não será ameaçada.

“Pizzolato, como todos os outros presos da ação penal AP470 (mensalão), tem garantido o total respeito da lei e com notável nível de conforto”. Além disso, diante da condição de ‘ilustre’ dos condenados” no caso do mensalão, nenhum deles teve ou terá “contato com população carcerária”.

Além disso, os advogados também usarão o argumento de que há vários casos que mostram que países europeus já extraditaram criminosos “para países onde a situação de direitos humanos é muito pior que as do Brasil”.