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“Para o bem do Brasil, sua carreira política está encerrada”, diz pai de primo preso de Aécio

O desembargador escreveu mensagem em uma rede social em tom de desabafo e bastante crítico ao senador afastado

SÃO PAULO – No último domingo, dias após a prisão de Frederico Pacheco, primo do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG),  o desembargador aposentado Lauro Pacheco, pai de Frederico, publicou um desabafo no Facebook. O texto é dirigido ao tucano e contém fortes críticas a ele. 

“Falta-lhe, Aécio, qualidade moral e intelectual para o exercício do cargo que disputou de Presidente da República”, afirmou Lauro Pacheco. De acordo com Pacheco, foi a lealdade de seu  filho ao primo que o levou à cadeia. “Para o bem do Brasil, sua carreira política está encerrada”, encerra o texto. 

Ao O Globo, Lauro Pacheco confirmou a publicação: “não quero dar entrevista, mas confirmo que o texto é meu. Está lançado. Compartilhei no perfil da minha mulher porque não sei mexer nessas coisas. Ele (Frederico) admirava demais o Aécio”. Ele ainda negou que seja tio de Aécio:  “acontece que fui casado com falecida prima dele”.

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Frederico Pacheco foi preso na última quinta-feira no âmbito da Operação Patmos após ter sido flagrado carregando malas de dinheiro da JBS (JBSS3) para Aécio. 

Confira o texto escrito pelo pai de Frederico Pacheco na íntegra:

“Meu filho Frederico Pacheco de Medeiros está preso por causa de sua lealdade a você, seu primo.

Ele tem um ótimo caráter, ao contrário de você, que acaba de demonstrar, não ter, usando uma expressão de seu avô Tancredo Neves, ‘um mínimo de cerimônia com os escrúpulos’. Vejo agora, Aécio, que você não faz jus à memória de seu saudoso pai o Deputado Aécio Cunha. Falta-lhe, Aécio, qualidade moral e intelectual para o exercício do cargo que disputou de Presidente da República. Para o bem do Brasil, sua carreira política está encerrada.

Ass. Lauro Pachedo de Medeiros Filho

Desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de Minas Gerais”.

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Posicionamento de Aécio:

O senador afastado divulgou nota nesta segunda-feira sobre as acusações que pesam contra ele.

NOTA À IMPRENSA

“Sobre o diálogo gravado por Joesley Batista, o senador Aécio Neves esclarece que:

O diálogo se deu numa relação entre pessoas privadas, no qual o senador solicitou apoio para cobrir custos de sua defesa, já que não dispunha de recursos para tal.

O empréstimo feito pelo empresário da JBS não envolveu recursos públicos e seria regularizado por meio de um contrato mútuo, se o objetivo de Joesley Batista não fosse, desde o início, única e exclusivamente, forjar uma situação criminosa para ganhar os benefícios da delação premiada.

Não houve na conversa gravada descrição de nenhum ato ilícito da parte do senador, tendo ocorrido uma provocação de Joesley, agora claramente explicada, de assuntos outros, que não o pedido de empréstimo, com o objetivo único de obter de Aécio declarações políticas sobre temas polêmicos.

Como já foi esclarecido, foi proposta ao executivo a venda de um apartamento, no Rio de Janeiro, de propriedade da família do senador há mais de 30 anos. O delator, já atendendo aos interesses de sua delação, propôs emprestar recursos, o que ocorreu sem nenhuma contrapartida, não havendo qualquer tipo de prova ou mesmo indício de que tenha ocorrido alguma atuação do senador na esfera pública em favor da JBS.

O próprio delator Ricardo Saud afirmou à PF que: “Ele nunca fez nada por nós”, o que torna infundada qualquer acusação de pagamento de propina.

Todos os recursos recebidos da empresa pela campanha presidencial do PSDB, em 2014, estão declarados na prestação de contas do partido e não envolveram contrapartida ou uso de dinheiro público.

Um total R$ 50,2 milhões foram doados pela JBS ao comitê financeiro nacional e à Direção Nacional do PSDB. Desse total, R$ 30,44 milhões foram repassados para a campanha presidencial. Outros R$ 6,3 milhões foram doações feitas a diretórios regionais e candidatos estaduais e R$ 4 milhões doados no período pré-eleitoral, totalizando R$ 60,5 milhões em doações integralmente declaradas ao TSE.

Sobre a Operação Lava Jato, não existe qualquer ato do senador Aécio, como parlamentar ou presidente do PSDB, que possa ter colocado um empecilho sequer aos trabalhos da Polícia Federal ou do Ministério Público.

Por fim, Aécio lamenta os termos inadequados que usou na conversa gravada, sem o seu conhecimento, e destaca que jamais fez tais referências no ambiente de trabalho, já tendo se manifestado diretamente junto a cada um dos companheiros e autoridades mencionados.

O senador Aécio lamenta todos os acontecimentos narrados e fará, com serenidade e firmeza, sua defesa junto à Justiça e a seus eleitores para demonstrar a correção de suas ações e a farsa da qual foi vítima, montada pelo delator de forma premeditada a forjar uma ação criminosa.

Lutará também, pelos meios legais, para que a injustiça cometida contra sua irmã e seus familiares seja reparada e revertida o mais rapidamente.”

Assessoria do senador Aécio Neves.