Segundo Folha

Para ministro do TSE, cassação de Dilma pelo tribunal poderia ser vista como golpe

De acordo com um ministro do Tribunal ouvido pela colunista Monica Bergamo, da Folha, uma decisão tão drástica, tomada por um colegiado de apenas sete juízes, poderia ser encarada como um "golpe paraguaio"

SÃO PAULO – Segundo informações da coluna de Monica Bergamo no jornal Folha de S. Paulo, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) vê como extremamente complexa a possibilidade da cassação do mandato da presidente Dilma Rousseff e de Michel Temer.

 De acordo com um ministro do Tribunal ouvido pela colunista, uma decisão tão drástica, tomada por um colegiado de apenas sete juízes, poderia ser encarada como um “golpe paraguaio”. Eem 2012, o presidente paraguaio Fernando Lugo foi afastado em 2012, causando uma repercussão internacional péssima e com a condenação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização de Estados Americanos).

Uma eventual cassação da chama Dilma/Temer passaria o poder imediatamente ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o que assusta até mesmo setores do PSDB que temem o perfil do parlamentar, considerado conservador e autoritário. Se estiver no comando do país, a avaliação é de que ele se movimentaria para permanecer no poder, dando um “baile” nos tucanos pró-impeachment.

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A tendência seria o TSE aumentar a temperatura da crise política, esquadrinhando as contas eleitorais de Dilma e Temer e dando visibilidade ao depoimento do delator Ricardo Pessoa, dono da UTC, no âmbito da Operação Lava Jato. Uma eventual decisão tão drástica ficaria para o Congresso, de maior legitimidade democrática.