Para JP Morgan, fluxo estrangeiro em alta pode ser catalisador para ações

Em julho, R$ 3,5 bilhões entraram no mercado de ações brasileiro, o maior volume desde setembro de 2009, antes da imposição do IOF

SÃO PAULO – Para o JP Morgan, a retomada do fluxo de investimentos estrangeiros para o mercado de ações brasileiro pode ser um catalisador para os ativos do País no segundo semestre de 2010. Emy Cherman, Ben Laidler, Brian Chase e Viany Joseph, responsáveis pelo relatório, apontam para a entrada de R$ 3,5 bilhões em fluxo de capital estrangeiro no mês de julho, o maior volume desde setembro de 2009, antes da imposição do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para capital vindo do exterior e alocado na bolsa e em renda fixa. 

De acordo com o banco, esse fator levou o mercado brasileiro a se recuperar, com o Ibovespa encerrando o mês com alta de 10,8%. Em agosto, o fluxo continuou expressivo, ao menos nos quatro primeiros pregões, com entrada de mais de R$ 1 bilhão. De acordo com dados do Banco Central, esse número também é robusto para o fluxo de portfólio, de US$ 23 bilhões, embora nesse caso a concentração fique com a renda fixa. 

Relação entre risco e fluxo
De acordo com o JP Morgan, existe uma dicotomia entre risco e fluxo no Brasil. A aversão ao risco encontra-se em fase de diluição, com expectativas para o PIB (Produto Interno Bruto) já precificadas e eleições e capitalização da Petrobras (PETR3PETR4) previstas para o início do último trimestre de 2010, e por isso os investidores estrangeiros retornam ao País. 

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Nesse ponto, o banco destaca que, até o momento, em 2010, apenas 2,5% do total do fluxo destinado a mercados emergentes ficou com o Brasil, bem abaixo da relação de 16,5% apresentada em 2009, já que os investidores adotaram posição neutra em relação ao País neste ano. 

Com isso, os investidores institucionais nacionais estão aumentando sua parcela no mercado, registrando recorde pelo quinto mês consecutivo, com participação de 36,2% em julho. Com a participação dos estrangeiros em 27,7%, a média do volume diário negociado caiu no mês, para US$ 3,04 bilhões. 

Bolsa barata
A expectativa do banco é que a volta dos investidores internacionais ao Brasil possa dar início a um ciclo mais forte de altas. Até mesmo porque o País continua “barato”, na percepção do JP Morgan. A relação entre a estimativa para preço e lucro em 2011 continua em um dígito, de 9,3 vezes, mesmo após o forte avanço do mês anterior. “Se o fluxo estrangeiro se consolidar, o mercado brasileiro pode facilmente bater a máxima histórica de 73.516 pontos, alcançada em maio de 2008”, concluem os analistas.