Estagflação?

Para Financial Times, economia do Brasil está virando um enigma

Combinação de investimento e atividade industrial associado à inflação crescente acendem temores de estagflação, aponta publicação

SÃO PAULO – Em meio à combinação de um nível de emprego recorde e do forte consumo interno combinado ao investimento baixo, atividade industrial em queda e inflação crescente, a economia brasileira está cada vez mais enigmática. Esta é a constatação do diário britânico Financial Times, publicado nesta sexta-feira (8).

inflação de janeiro, divulgada na última quinta-feira (7) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) registrou a maior alta para o mês desde 2003 e a maior desde abril de 2005. O jornal ressaltou que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) não atinge o centro da meta há mais de dois anos.

Vale ressaltar que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, em entrevista ao jornal O Globo, mostrou preocupação com relação à inflação, mas ressaltou que a situação não é de descontrole. No segundo semestre de 2013, avalia o presidente do BC, a expectativa é de que a inflação desacelere.

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De acordo com a publicação, isso aumenta os temores de que a maior economia da América Latina esteja caminhando para uma estagflação – inflação combinada à recessão. Com isso, avalia, esse cenário aponta para a volta de um “velho inimigo do Brasil, a inflação”, num momento em que o País luta para reativar a economia e se recuperar entre as grandes nações emergentes.

”A economia brasileira está se tornando um enigma caracterizado por um recorde de baixo desemprego e forte consumo doméstico contrabalanceados por um investimento e por atividade industrial fracos e pela inflação em alta”, avalia a publicação.

Em meio a esse cenário, o artigo ressalta que o governo está agindo para a reativação da economia, com a queda da taxa de juros, incentivos à indústria e ao setor de consumo, corte de impostos e queda nos preços da eletricidade. Entretanto, aponta, os problemas se relacionam à queda das taxas de investimento e à baixa confiança da indústria.