Para Fator, situação fiscal dos EUA é frágil e pode caminhar nos moldes da crise europeia

Economistas avaliam discurso de Bernanke, apontando a queda de braço política e o risco crescimento de calote da dívida pública

SÃO PAULO – A situação fiscal nos Estados Unidos está novamente na pauta de discussão. Nesta terça-feira (14), o presidente do Fed, Ben Bernanke, chamou a atenção para a frágil situação do país, que já não está mais tão distante de um possível default. Ainda mais por que quando se analisa a economia norte-americana em conjunto, percebe-se que os sinais de recuperação continuam fracos.

Para a equipe de economistas do Banco Fator, composta por José Francisco de Lima Gonçalves, Rafael Yamano e Luis Meloni, o discurso de Bernanke acentua ainda mais a fragilidade dos Estados Unidos, mostrando uma das piores quedas de braço na política americana.

Dentro de alguns dias, o Tesouro dos EUA deve atingir o limite autorizado pelo Senado para emitir dívida pública. Por outro lado, o Congresso norte-americano segue relutante à ideia de elevar esse limite e as pendências políticas agravam o quadro econômico. Diante desse impasse, a equipe do banco Fator ressalta a probabilidade que já vinha sendo traçada desde o início de 2011: o calote dos EUA.

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Além disso, a situação ganha contornos ainda mais dramáticos quando a questão passa a focar na popularidade de Barack Obama, presidente da nação. Após a morte do terrorista Bin Laden, as coisas pareciam melhorar para Obama, porém “a ficha caiu” com as péssimas notícias econômicas de maio, que se somaram às notícias de abril e assim por diante.

Problema não é de hoje
Mas como bem reconheceu o chairman do Fed, essas pendências fiscais não são novidades. Ele reconheceu, em seu discurso, que a situação fiscal ameaçadora não é decorrência exclusiva dos efeitos da crise. O envelhecimento da população e o excessivo gasto do governo com saúde pública e previdência social contribuem grandemente para o resultado.

Caso o governo do país não seja autorizado a emitir mais títulos, terá que recorrer aos pagamentos programados e aprovados pelo Congresso no exercício atual. “O Tesouro vai ter que escolher se deixa de pagar juros da dívida, amortização da mesma, despesas com saúde e salários. O curto prazo é péssimo, mas pode ser fatal se não for possível emitir mais e monetizar descaradamente o déficit”, coloca o banco.

Porém, aprovar o endividamento não é garantia de sucesso, já que a credibilidade do Tesouro dos EUA começa a ficar comprometida. A não estabilização da relação dívida/PIB (Produto Interno Bruto) coloca o país em um círculo vicioso e perigoso: mais juros exigem mais superávit primário, que por sua vez exige uma redução das despesas, que causam a queda no crescimento do PIB, que elevação a relação dívida/PIB. E o ciclo recomeça.

Analisando a situação em que se encontram alguns países da Zona do Euro, como Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e até mesmo Reino Unido, os economistas afirmam que esse também é um risco para os EUA.