Para Citi, eleições e fusões e aquisições são principais riscos para Cemig no ano

Entretanto, banco vê possibilidade de bom desempenho dos ativos no curto prazo, com duas potenciais transações chegando ao fim

SÃO PAULO – Avaliando novidades sobre duas potenciais transações envolvendo a Cemig (CMIG4), o analista do Citigroup, Marcelo Britto, manteve suas projeções para a empresa inalteradas. Na visão de Britto, apesar de o risco ligado a essas fusões e aquisições ter diminuído – o que pode ser positivo para as ações no curto prazo -, as eleições presidenciais são um importante fator de risco, dada a possibilidade de mudanças na estratégia corporativa da empresa.

“O risco de fusões e aquisições em 2010 pode parecer pequeno dado o plano de capex (gastos com investimentos) da empresa, de R$ 3,1 bilhões, mas a gestão da companhia revelou na última teleconferência que está consultando o mercado e negociando potenciais alvos”, afirma Britto.

Transações
A primeira transação refere-se a ativos de distribuição. A CEB (Companhia Energética de Brasília) enviou fato relevante noticiando o final do acordo de confidencialidade com a Cemig, que regulava a troca de informações acerca de um possível investimento na CEB. Britto assume que a CEB seja avaliada em cerca de R$ 700 milhões em termos de valor da empresa (EV), o que representa um múltiplo EV/Ebtida de 5,8 vezes.

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“Apesar do tamanho pequeno, a CEB representaria um importante desafio, dada a necessidade de turnaround da empresa antes da revisão tarifária de 2012”, observa o analista do Citi.

A segunda transação é ligada a transmissão, e refere-se à notícia de que a chinesa State Grid estaria adquirindo a Plena Transmissora, atualmente sob o controle das espanholas Elecnor, Isolux, Cobra e Abengoa. A Plena possui 6 mil km de linhas de transmissão e, segundo informações, investimentos de R$ 5 bilhões desde sua criação.

Na avaliação de Britto, a Plena traria mais riscos para o balanço da Cemig, uma vez que a alavancagem da companhia iria provavelmente subir de 1,8 vezes para 2,6 vezes, em termos do múltiplo dívida líquida/Ebitda.