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Entrevista

Para Armínio Fraga, deve-se mudar “quase tudo” o que foi feito nos últimos 6 anos

Economista também se diz favorável ao aumento da taxa de juros num curto prazo por conta da inflação

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Guru do candidato tucano à Presidência da República, Aécio Neves, o economista Armínio Fraga defende mudar quase tudo feito nos últimos seis anos. No caso, desde que Guido Mantega se tornou ministro da Fazenda. Mudanças radicais nessa área significariam, por exemplo, o fim das desonerações feitas principalmente no governo Dilma Rousseff e o ajuste fiscal. Apesar de negar ser um “pessimista a longo prazo”, avalia que os resultados dos últimos anos “não têm sido tão bons”.

Em entrevista ao jornal Brasil Econômico, ele se diz favorável ao aumento da taxa de juros num curto prazo por conta da inflação, “uma boa notícia”, como define. “(…) A inflação já está beirando os 6%. Quando se leva em conta que o combustível está tabelado, que seguraram as tarifas de ônibus, que muitas desonerações foram feitas e que talvez não sejam sustentáveis, eu creio que a coisa está ficando perigosa. A meta é 4,5% e está dois pontos acima do centro da meta. Era preciso fazer alguma coisa, sem dúvida”, afirma.

Sobre o tamanho do BNDES

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O tamanho do BNDES é um tema interessante. O BNDES tem anunciado, recentemente, que vai focar mais na infraestrutura. O dinheiro original do banco, os fundos do trabalhador, já acabou. Está todo aplicado. Então, para o BNDES crescer a sua carteira, o governo terá que emitir dívida pública e usar o produto dessa emissão para capitalizar o BNDES. Tem áreas importantes em que o banco tem um papel a contribuir mas ele poderia e deveria exigir mais do setor privado, para desenvolver o mercado também. O Brasil tem hoje fundos de pensão, seguradoras, capital de longo prazo. Tem que fazer o mercado de capitais existir, crescer. Por outro lado, se oferece uma quantidade enorme de dinheiro, o mercado se acomoda. Se eles apertassem um pouco mais, a médio e longo prazo seria saudável.

Relação com Aécio Neves

Campanha não [faço parte], eu não sou político. O Aécio é presidente do PSDB, que ainda está definindo seu caminho. Eu conheço o Aécio há muitos anos e tenho conversado com ele, mas não sou da equipe de campanha.

Ele disse publicamente que gostaria de apresentar no mês que vem algumas ideias para discussão, que não seria, portanto, um programa de governo. E dessa discussão eu faço parte sim.

Linha a ser adotada

Muito do que eu tenho dito aqui é meu, mas acredito que alguma coisa possa fazer parte essas ideias. Arrumar um pouco a casa no lado macro, creio ser um ponto mais ou menos claro.

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Mas seria um ajuste?

Eu não sei, é melhor esperar. Quem está definindo isso é o próprio Aécio junto como partido e colegas. Mas eu penso que sim, acho que seriam diferenças muito importantes ao que foi feito nos últimos seis anos.

Armínio rejeita o Estado mínimo e defende uma entrega maior do Estado

Acredito que o Brasil não deve ter um estado mínimo, jamais recomendaria isso. Eu acho que o Estado tem que entregar mais. Se eu fosse falar na linguagem de empresas, o Brasil tem um custo fixo alto, um overhead (custo operacional) alto. Então para o overhead que o Brasil tem, deve entregar mais. Anos atrás, disse em uma entrevista, para provocar, que eu achava naquele momento, e continuo a achar, que o Brasil precisa de certa maneira reestatizar o Estado. Estar menos sujeito a influências privadas e partidárias. O Estado não pode ser veículo de uso privado ou partidário.

Notícia publicada originalmente no 247 Brasil.