Conferência CNI

Para Aécio, Petrobras caiu em armadilha e dispara: o que me preocupa é o 7 a 1 econômico

Candidato à presidência pelo PSDB afirmou ainda: "não sou candidato de um partido, de uma coligação, sou candidato de um sentimento que permeia a nação"

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SÃO PAULO – O presidenciável pelo PSDB Aécio Neves participa nesta quarta-feira de conferência realizada pela CNI (Confederação Nacional das Indústrias), Diálogo da Indústria com Candidatos à Presidência da República. Além de Aécio, Eduardo Campos (PSB) participou do evento e está prevista a participação de Dilma Rousseff (PT) à tarde. 

Na segunda-feira, a CNI divulgou um conjunto de 42 estudos com sugestões em diversas áreas para a melhoria do ambiente de negócios do país.

“Não sou candidato de um partido, de uma coligação, sou candidato de um sentimento que permeia a nação”, disse Aécio. Segundo ele, o atual governo demonizou as privatizações, destacando ainda que “o aprendizado do PT no governo custou muito ao Brasil”. 

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Para ele, a “credibilidade” é um elemento que falta ao Brasil, em meio ao crescimento pífio da economia e a inflação estourando o teto da meta mesmo com os preços sendo represados. 

A reversão para menores juros não vão acontecer por discurso e sim com o aumento da confiança, afirma, destacando que “o Brasil é refém hoje de um populismo cambial, sem tratar as questões essenciais do que é importante para o País”, ressaltou. 

Para Aécio, a estabilidade macroeconômica tem que ser resgatada no Brasil, dando destaque especial à palavra previsibilidade, com os setores do mercado também sendo tratados de forma isonômica. Também é essencial, segundo ele, resgatar as agências reguladoras para que elas não sejam mais entraves ao desenvolvimento nacional.

“O tempo novo passa por uma nova forma de governança e essa é a governança que podem esperar do meu governo. Não esperem plano A, plano B, Brasil Melhor, Brasil Melhor e sim por uma melhor governança, um melhor governo”, afirmou. Aécio destaca duas necessidades, de redução das taxas de juros e aumento de investimentos. A meta é de elevar investimentos de 18% para 24% do PIB. 

Aécio comenta Santander
Ao comentar o episódio polêmico sobre a nota do Santander em que relacionou uma possível reeleição de Dilma à piora da economia, Aécio afirmou que o pessimismo é generalizado dada à queda de confiança.

O governo tem que sinalizar uma mudança de posição para que a arrogância seja substituída por um diálogo maior com quem ajuda o Brasil a crescer, destacou. “Isso não se fará com erros, isso se dará de acordo com uma nota postura. Tenho a oferecer uma nova e corajosa parceria, de simplificação do sistema tributário. O Brasil cansou de tudo que está aí e eu quero oferecer um novo tempo, e com muita ousadia”, afirmou. 

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Política externa
Sobre política externa, Aécio afirmou que “lamentavelmente, o Brasil optou por um alinhamento ideológico inconcebível, enquanto acordos bilaterais estão sendo feitos o tempo todo pelo mundo”, afirmou. 

“O Brasil vem na contramão de tudo que o mundo desenvolvido vem pregando”, afirmou Aécio, ao falar sobre política externa, destacando que realinhará as relações não com um viés ideológico, e sim com um viés comercial.

Aécio também defende um “choque de infraestrutura” com o setor privado, afirmando ainda que não cabe ao governo estabelecer taxas de retorno e sim aos empresários. 

“7 a 1 econômico”
Aécio também fez referências ao 7 a 1 que o Brasil sofreu contra a Alemanha na Copa do Mundo, como já destacado por casas de análises. Segundo ele, a goleada aplicada à seleção nacional em 8 de julho o deixou triste, mas o que realmente o preocupa é o “7 a 1 na economia”, com uma inflação em alta (por volta de 7% ao ano) e uma economia em baixa (com previsão de crescimento de 1% em 2014, segundo estimativa de economistas ouvidos pelo Focus). 

“Estou preparado para romper paradigmas mesmo que os resultados não venham na totalidade no primeiro momento. Eu quero oferecer ambiente adequado para garantir a possibilidade do Brasil crescer. É a insegurança política e jurídica que vem fazendo com que o Brasil não atinja níveis de crescimento minimamente adequados”, afirmou. 

Sobre inovação, Aécio afirmou que o Brasil tem que agir, parando de terceirizar as responsabilidades, além de aproximar as universidades do governo e avançar na construção da agenda da competitividade. 

Agenda de inovação
Em suas considerações finais, Aécio afirmou que é candidato por acreditar que é possível construir uma agenda de inovação para crescimento no Brasil. Para ele, o atual governo deixa para seu sucessor um País desmobilizado, pois as ações sociais do governo não avançam, os jovens estão desacreditados, mas principalmente por causa dos agentes econômicos.

“Ou o Brasil encerra esse ciclo de governo que aí está para romper com as estruturas carcomidas de hoje ou teremos que enfrentar problemas ainda maiores do que hoje”, destacou. 

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“Caudatários, dependentes ou protagonistas, nós temos que decidir o que o Brasil deve ser”, afirmou, dizendo que deve haver uma inversão de valores e de atitude senão, o País vai cair para menos de 1% da participação do comércio no conjunto internacional. 

O setor elétrico está na UTI e é assim que devemos tratá-lo, com medidas duradouros, afirmando que o setor está desorganizado e a Eletrobras é uma parte disso, com grandes prejuízos nos últimos anos. 

Aécio afirmou ainda que a Petrobras é vítima da armadilha criada pelo atual governo. “Estamos na contramão do mundo a subsidiar combustível fóssil, sendo a Petrobras a única que registra mais prejuízos com a alta do preço do petróleo. Enquanto isso, está sendo exigido investimentos monumentais da empresa. 

“Essa patrimonialização do País pelo atual governo está sendo ruim para o Brasil”, afirmou Aécio, destacou que, agora, a a crise econômica se instala por outras vertentes e o Estado está cada vez com menos liderança para tomar medidas. 

“Não vai me faltar coragem desde o primeiro dia do governo para adotar todas as medidas necessárias para atingir maior crescimento e justiça social. Temos a oportunidade daqui a oito semanas para virar a página para o Brasil. O País não merece o governo que está aí”, concluiu.