Offshores

“Panamá Papers”: sete partidos têm políticos – e parentes deles – com offshores

PDT, PMDB, PP, PSB, PSD, PSDB e PTB são os partidos cujos integrantes aparecem na lista, divulgada a partir do Consórcio internacional de jornalistas

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SÃO PAULO – O Panamá Papers trouxe à tona 11,5 milhões de documentos dos arquivos do escritório panamenho Mossack Fonseca em mais de 40 anos de atuação, que está no centro de um gigantesco vazamento de dados por suspeita de evasão fiscal. 

E os documentos mostram que o escritório criou ou vendeu empresas offshore para políticos brasileiros e seus familiares. PDT, PMDB, PP, PSB, PSD, PSDB e PTB são os partidos cujos integrantes aparecem na lista, divulgada a partir do Consórcio internacional de jornalistas. 

Na lista, aparece uma companhia que, segundo um delator do esquema de corrupção na Petrobras, pertence ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Porém, segundo o Estadão, um dos integrantes nacionais da investigação, não há assinatura do parlamentar. O presidente da Câmara negou as informações. 

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Entre outros, aparecem o deputado federal Newton Cardoso Jr. (PMDB-MG) e o pai dele, o ex-governador de Minas Gerais Newton Cardoso; o ex-ministro da Fazenda Delfim Netto; os ex-deputados João Lyra (PSD-AL) e Vadão Gomes (PP-SP), e o ex-senador e presidente do PSDB Sérgio Guerra, morto em 2014. 

Entre os que têm ou tiveram offshore registradas, estão também alguns parentes, como Gabriel Nascimento Lacerda, filho do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), e de Luciano Lobão, filho do senador Edison Lobão (PMDB-MA). Filho de Paulo Skaf, Gabriel Pamplona Skaf confirmou ter sido proprietário da offshore Sunrise, com a empresa sendo adquirida em 2008 e vendida em 2009; ele enviou suas declarações de IR comprovando que a operação foi legal. 

Ao UOL, o deputado Newton Cardoso Jr. disse ter recebido com “surpresa” as informações e negou “com veemência a existência de qualquer empresa offshore em seu nome ou mesmo de seu pai, o ex-deputado Newton Cardoso”. João Lyra e Saul Sabbá não responderam. Já a assessoria de imprensa da direção nacional do PSDB afirmou que não comentaria o caso referente a Sérgio Guerra.

O filho de Lobão, Luciano Lobão, comprou com a sua esposa, Vanessa Fassheber Lobão, a offshore VLF International Ltd em 2011 que foi usada para comprar um apartamento em Miami Beach. Ele disse que a companhia foi declarada à Receita e devidamente tributada. 

 O ex-deputado federal Etivaldo Vadão Gomes abriu a companhia South America Beef Company S.A em 2011, para investir em ações, títulos e imóveis, no Brasil e no exterior. Ele não quis comentar a reportagem. 

O ex-vice-governador de Brasília Paulo Octávio teve a offshore Mateus 5 declarada às autoridades nacionais. 

 Candidato a deputado estadual em Santa Catarina em 2010, Rodrigo Meyer Bornholdt aparece como titular da Talway International, comprada em dezembro de 2011 com o pai, Max Roberto Bornholdt, e Karla Cecilia Adami Bornholdt. “O objetivo de possuir a propriedade da companhia foi a aquisição de um imóvel no Uruguai. A razão para adquiri-lo por meio de uma offshore foi evitar custos desnecessários quando da transferência do imóvel”, diz o e-mail de Rodrigo ao UOL.

Por último, Delfim Netto criou a offshore Aspen 2 Consult Ventures Ltd, em 2008, mas que não chegaram a desenvolver nenhuma atividade. “(…) As companhias nunca emitiram notas fiscais de serviços, auferiram receitas durante o período em que estiveram regularmente registradas, tiveram conta corrente ou quaisquer outros bens. Tampouco houve qualquer capitalização”.


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