Os votos que ainda estão em jogo no segundo turno entre Lula e Flávio

Quase 9,2 milhões escolheram candidatos eliminados, 33,4 milhões se abstiveram e outros 5,9 milhões votaram em branco ou nulo

•

Publicidade

A disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começa o segundo turno com uma diferença de cerca de 2,2 milhões de votos, mas com um contingente muito maior de eleitores ainda fora das duas candidaturas.

No primeiro turno, 9,2 milhões de eleitores escolheram candidatos que não avançaram. Outros 33,4 milhões não compareceram às urnas. Houve ainda cerca de 5,9 milhões de votos brancos e nulos.

Esses grupos não formam um bloco homogêneo e não necessariamente migrarão para um dos dois finalistas. Ainda assim, ajudam a dimensionar quanto espaço existe para mudanças até a votação de 25 de outubro.

Quase 8% dos válidos ficaram fora de Lula e Flávio

Flávio terminou o primeiro turno com 47% dos votos válidos e Lula, com 45%. Juntos, concentraram pouco mais de 92% dos votos válidos.

O restante foi distribuído principalmente entre Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema.

Cury recebeu cerca de 3,4 milhões de votos. Caiado e Renan tiveram aproximadamente 2,6 milhões cada. Somados aos demais candidatos, os nomes eliminados reuniram cerca de 9,2 milhões de eleitores.

Continua depois da publicidade

Esse volume é mais de quatro vezes maior que a diferença atual entre Flávio e Lula.

A transferência, porém, não será automática. Até agora, Cury, Renan e Caiado não declararam apoio a nenhum dos dois candidatos. O PSD, partido de Caiado, decidiu liberar seus integrantes. Zema declarou oposição ao PT, sem formalizar inicialmente apoio explícito a Flávio.

Abstenção é um contingente ainda maior

O maior grupo fora da disputa do primeiro turno está entre aqueles que sequer foram votar. Segundo dados do TSE, 33,4 milhões de eleitores se abstiveram, o equivalente a 21% dos 158 milhões aptos a votar. Foi o maior índice em uma eleição geral desde 1998.

Continua depois da publicidade

O número supera em mais de 15 vezes a diferença entre os dois candidatos.

São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul registraram algumas das maiores taxas de ausência. Em São Paulo, 22,54% dos eleitores não compareceram; em Minas, 22,79%; e no Rio, 23,32%.

A mobilização desse grupo já entrou na estratégia das campanhas. Lula citou a alta abstenção após o resultado e indicou que pretende buscar eleitores que ficaram fora do primeiro turno. Flávio também começou a articulação do segundo turno com aliados para ampliar sua votação nos maiores colégios eleitorais.

Continua depois da publicidade

Quem faltou no primeiro turno pode votar normalmente no segundo, desde que esteja com a situação eleitoral regular.

Brancos e nulos somaram quase 6 milhões

Entre os eleitores que compareceram, cerca de 2,3 milhões votaram em branco para presidente e 3,6 milhões anularam o voto. Juntos, representam aproximadamente 5,9 milhões de votos, ou 4,7% dos que foram às urnas.

Esse eleitorado também pode mudar de comportamento no segundo turno, embora historicamente parte relevante mantenha a opção por não escolher nenhum dos finalistas.

Continua depois da publicidade

A soma de abstenções, brancos e nulos chega a aproximadamente 39 milhões de eleitores, um contingente muito superior à diferença atual entre Lula e Flávio.

Comparecimento x transferência

A conta do segundo turno, portanto, não depende apenas de quem ficará com os votos de Cury, Caiado, Renan e Zema. O comparecimento das próprias bases de Lula e Flávio também pode alterar a diferença.

Em 2022, a abstenção caiu ligeiramente entre as duas etapas, de cerca de 20,9% no primeiro turno para 20,6% no segundo. Em uma eleição decidida por 1,8 ponto percentual, mudanças pequenas de mobilização tiveram peso relevante na diferença final.

Agora, Flávio começa com 2,2 milhões de votos a mais, diante de mais de 33 milhões de ausentes e cerca de 15 milhões de eleitores que compareceram, mas não votaram em nenhum dos dois finalistas.

É esse o universo que Lula e Flávio passam a disputar nas próximas três semanas: os votos dos candidatos eliminados, os eleitores que optaram por branco ou nulo e, principalmente, quem não foi às urnas no primeiro turno.

Autor avatar
Marina Verenicz
Política | Brasil | Mundo