Estimativas do ex-BC

Os três cenários para o PIB para a próxima década, segundo Henrique Meirelles

No cenário otimista, PIB deve subir 4% em média por ano na próxima década; no pessimista, sem que haja os ajustes, crescimento pode ser de 1,2% ao ano em média

SÃO PAULO – “O longo prazo demora, mas chega”. Esta é a mensagem que o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que destacou esperar um próximo ano de ajuste fiscal, mas mais suave do que realizado em 2003, quando iniciou os seus trabalhos na autoridade monetária.

Contudo, deve-se olhar também para o cenário bastante desafiador no longo prazo, e como fazer para que o Brasil volte a convergir para os EUA em termos como a educação e produtividade, que são os desafios do Brasil. Para 2015, a expectativa é de que haja um ajuste fiscal, mas o cenário deve ser de crescimento medíocre no próximo ano, destacou, em palestra realizada em comemoração aos 65 anos da Coimex.

Num primeiro momento, o cenário é de ajustes, sendo prioridade o fiscal, para a estabilização da dívida pública líquida e da economia. Meirelles destacou que as declarações feitas pela nova equipe econômica mostraram uma sinalização correta, mas deve-se aguardar que as medidas sejam tomadas e indicam uma mudança positiva. 

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Ele ainda destacou que é essencial que o cálculo das contas públicas seja transparente e crível e que as metas fiscais sejam cumpridas. “Se [o governo] cumprir a meta, aumenta a confiança”.

Para a próxima década, Meirelles avalia três cenários para o PIB brasileiro, dependendo se haverá ou não os ajustes fiscais e um ambiente mais propício para os investimentos.

No cenário pessimista, sem que haja o ajuste que fora anunciado, o crescimento médio na próxima década deve ser de 1,2% ao ano, enquanto o cenário básico é de crescimento de 2,6% por ano. Num cenário otimista, o crescimento pode apontar para 4% ao ano, caso haja redução das distorções, o que pode levar a um aumento do investimento. 

Para Meirelles, se o ajuste proposto pela equipe econômica recém-oficializada for cumprido e a política monetária fizer o aperto necessário, a inflação pode diminuir e o crescimento pode se fortalecer. Além disso, o ex-presidente do BC afirmou que o Brasil está mais fortalecido, o que pode levar a um processo não tão “duro” como o quando assumiu a autoridade monetária, quando o País passou por um forte ajuste fiscal e monetária logo após a eleição de Lula. ” “As medidas duras despertaram a confiança”, afirmou.

A conjuntura atual é mais positiva, uma vez que a dívida pública líquida em 2003 era mais alta, de cerca de 60%, enquanto as reservas internacionais eram muito baixas. O cenário hoje é de oportunidades, afirma.