Mais uma divergência

Os três (bons) motivos para Alckmin suspeitar de FHC – e o que ele está fazendo para reagir

Ano já começou com divergências dentro do PSDB após entrevistas do ex-presidente tucano - fortalecendo os que querem buscar candidaturas alternativas a de Alckmin

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SÃO PAULO – O ano eleitoral já começou mostrando que as divergências no PSDB continuam, sendo evidenciadas até mesmo por aqueles que trabalharam para tentar unificar o partido no final de 2017. 

Mesmo que involuntariamente, a entrevista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na véspera ao jornal O Estado de S. Paulo – apontando que, caso o presidenciável tucano Geraldo Alckmin não se viabilize, o seu partido pode apoiar outro candidato para não haver pulverização -, deu força para que outros nomes fossem ainda mais cogitados. Deu forças a integrantes do DEM, por exemplo, que tentam viabilizar a candidatura de Rodrigo Maia (RJ) e também a partidários de Henrique Meirelles (PSD) e até de João Doria (PSDB). Maia e Meirelles querem capitanear o centro, enquanto Doria é visto por alguns aliados dos tucanos como um candidato mais competitivo do que Alckmin.

“As declarações de FHC sugerem que a busca pelo candidato presidencial permanece aberta”, aponta a consultoria de risco político Eurasia, destacando que Alckmin tem lutado para melhorar sua posição em pesquisas de opinião, tendo atualmente 7% das intenções de votação em comparação com os 36% de Lula, segundo aponta pesquisa de dezembro do Datafolha. Para a Eurasia, as observações do ex-presidente não representam uma ameaça imediata aos planos de Alckmin, mas sugerem que o partido está cada vez mais preocupado com sua viabilidade eleitoral, enquanto o problema continua a ser a falta de alternativas óbvias.

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Para a Eurasia, o maior efeito pode se dar nas escolhas dos outros partidos, com DEM parecendo cada vez mais apto a se candidatar, enquanto alguns jornais sugerem que o apresentador de TV Luciano Huck poderia reconsiderar sua candidatura à presidência após negá-la no final de novembro. Vale lembrar que, no fim de semana, a Folha de S. Paulo noticiou o pedido do apresentador para continuar a figurar nas pesquisas eleitorais.

De qualquer forma, os aliados de Alckmin mostram desconfiança com as movimentações de FHC, elencando “três movimentos suspeitos” do ex-presidente, conforme ressalta o Poder360. São eles: i) o incentivo ao lançamento da candidatura alternativa ao Planalto, pelo PSDB, do prefeito de Manaus, ii) no fim de semana, no programa Manhattan Connection, da GloboNews, ele concordou que, com Alckmin, os tucanos partem para as eleições com ‘1 par de 8’, ao fazer alusão a cartas fracas do jogo de pôquer e iii) a entrevista do Estadão citada acima e que causou tanta polêmica. 

Já os aliados de FHC reclamam da possibilidade de Geraldo Alckmin eleger seu vice-governador, Márcio França (PSB), para o Palácio dos Bandeirantes. Cobram apoio a 1 nome do PSDB. Se Alckmin perder a disputa presidencial, os tucanos podem ficar sem o Planalto e sem o governo de São Paulo. A coluna Radar Online, da Veja, ainda aponta que FHC “nunca morreu de amores por Alckmin”, uma vez que sentia-se pouco prestigiado pelo governador. 

Alckmin age

Enquanto isso, o governador de São Paulo busca reação. Ontem, Alckmin reforçou  sua pré-candidatura à presidência nas eleições de outubro e aproveitou para atacar os dois nomes mais fortes até o momento na disputa, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o deputado Jair Bolsonaro. Alckmin afirmou que seus dois concorrentes “não têm chance” na disputa pelo Palácio do Planalto. Para ele, as pesquisas refletem o passado e os números tendem a mudar no decorrer da campanha, que começa em agosto.

Já a Folha de S. Paulo aponta para dois movimentos do presidenciável tucano para reforçar a sua candidatura. Ele antecipou a negociação de alianças para sua candidatura ao Planalto e sinaliza que cederia a vaga de vice e também ofereceria o apoio do PSDB a outras siglas nos Estados em troca da adesão a seu projeto presidencial. Nas últimas semanas, o tucano teve encontros com caciques do DEM, do PP e do PTB – o DEM exige a vaga de vice-presidente na chapa de Alckmin caso decida apoiar o tucano, além de apoio à reeleição de Maia para o comando da Câmara, em 2019. Os nomes cotados são o do próprio ACM Neto e o do ministro da Educação, Mendonça Filho. O PSDB tem direito a 1 minuto e 18 segundos em cada bloco da propaganda eleitoral e mais que dobraria esse tempo com alianças com PP (50 segundos), PTB (33 segundos) e DEM (28 segundos).

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Além disso, a coluna Painel, do mesmo jornal, informa que os tucanos de São Paulo preparam uma extensa agenda com evangélicos para o governador. Eles atuam para que, logo no início deste ano, o presidenciável receba cerca de 80 líderes de igrejas pentecostais e neopentecostais em um jantar na ala residencial do Palácio dos Bandeirantes. Um dos principais objetivos é minar a influência de Jair Bolsonaro (PSC-RJ)– já identificada pela sigla– nesse nicho do eleitorado. A busca pelo candidato de centro continua – e Alckmin faz de tudo para se viabilizar como a melhor alternativa.