Volta à normalidade

Os sinais da economia que apontam que o “pior já passou”, segundo consultoria

Dados de emprego e de crédito mostram para normalização da atividade depois de períodos conturbados, ressalta Rosenberg

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SÃO PAULO – Após o caos em meados de maio em meio à delação da JBS, o cenário econômico aponta: “rumamos,gradualmente, à normalidade e à sensação de que o pior já passou”. 

Esta é a avaliação da Rosenberg Consultores Associados em comentário semanal, ao destacar que, na última semana do recesso legislativo, às vésperas da votação sobre a admissibilidade da denúncia contra Michel Temer, o noticiário econômico foi mais do que positivo – tanto no exterior quanto no Brasil. 

No quadro internacional, na última quarta-feira, o Federal Reserve manteve os juros e, como esperado, sinalizou o início do processo de normalização gradual de seu balanço para sua próxima reunião, em setembro, deixando uma nova alta de juros (de 0,25 ponto percentual) para dezembro. No comunicado, reconhece a desaceleração da inflação no curto prazo, bem como reitera a evolução moderada do ritmo de atividade.

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Já no cenário doméstico, o Copom (Comitê de Política Monetária) confirmou, também na quarta, a expectativa de corte de 1 ponto percentual e fez uma revisão geral dos cenários e da comunicação. Ao focar nos fatores conjunturais como determinante, a mensagem foi clara de que há espaço para manter o ritmo de corte de 1 ponto na próxima reunião. “Isso, por si só, revela uma disposição de ir além do que os mercados estavam esperando para a Selic ao final de 2017 e 2018, em 8%”. Após o Copom, os economistas da consultoria revisaram a expectativa para a Selic ao final do ano para 7,5%, a despeito da piora pontual da inflação esperada para agosto (em decorrência do aumento de impostos sobre combustíveis e da bandeira vermelha patamar 1, confirmada na sexta-feira, sobre a energia elétrica).

A consultoria também aponta para sinais favoráveis da atividade econômica, após a divulgação dos dados do mercado de crédito e de
trabalho de junho. A  queda de juros já começa a ser sentida nas taxas de juros cobradas em novas concessões de crédito, a inadimplência está em queda e o ritmo de concessões de crédito começa a aumentar, destaca a Rosenberg.

Já com relação ao mercado de trabalho, os economistas destacam o número da PNAD Contínua, com a taxa de desemprego registrando recuo em relação ao primeiro trimestre, de 13,7% para 13%. O  contingente de ocupados aumentou em 1,3 milhão de pessoas no segundo trimestre em relação ao primeiro, enquanto o contingente de desocupados caiu em 0,7 milhão; já o rendimento médio real avançou 3% na comparação anual.  

 A Rosenberg pondera, destacando ser claro que a a melhora no emprego tem muito de informal, conta própria e o Brasil ainda está muito distante dos patamares de pleno emprego e de bonança de outrora – exatamente como esperado. “Contudo, a indicação é sensivelmente
melhor do que apenas o estancamento da deterioração ou estabilização da
atividade”, apontam os economistas.

Eles ressaltam ainda que, no segundo trimestre, a liberação dos recursos do FGTS ajudou a impulsionar o consumo e a quitação de dívidas. Segundo os economistas, parte deste impulso deverá persistir no terceiro trimestre, com a melhora do crédito e do emprego progressivamente ocupando seu espaço como indutor de consumo. “Possíveis impactos negativos sobre consumo, derivados da redução da renda disponível pelo aumento de impostos sobre combustíveis, dependerá do repasse total do imposto aos preços finais e, também, da redução do consumo de combustíveis. Liquidamente, deve ser apenas levemente negativo, facilmente compensado pela melhora do crédito e emprego para manter-se a trajetória de recuperação da atividade, lenta e gradual”.

Em conclusão, a Rosenberg aponta que o contágio da piora do ambiente político sobre as variáveis econômicas se apresenta menor em 2017. “Tudo o mais constante, especialmente o mercado internacional, a expectativa é de contínua melhora da economia. Rumamos, gradualmente, à normalidade e à sensação de que o pior já passou”.

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