Cai no boato...

Os motivos que fizeram a reeleição de Dilma não assustar tanto o mercado como previsto

Precificação antecipada na Bovespa de reeleição da presidente e especulações de mercado sobre ministro da Fazenda são as principais razões para a calmaria

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SÃO PAULO – Na última sexta-feira antes das eleições, 24 de outubro, o mercado se preparava para o chamado “call binário”: ou o Ibovespa dispararia – caso Aécio Neves (PSDB) ganhasse – ou despencaria – se Dilma Rousseff fosse reeleita. Isso porque, há mais de sete meses, o mercado despencava ou disparava ao sabor das pesquisas, que sinalizavam probabilidades maiores ou menores da situação ou da oposição ser eleita. 

Mas isso se concretizou mesmo? Na última segunda-feira, o Ibovespa até ameaçou registrar uma queda forte, mas de longe de um circuit breaker – quando o índice cai mais de 10% – e fechou em baixa de “apenas” 2,77%. 

E, na sessão seguinte, algo ainda mais surpreendente. O índice, contrariando as indicações do mercado, fechou em alta de 3,62%. Mas o que aconteceu para que as previsões sobre um futuro negativo para o Ibovespa não acontecesse no curto prazo?

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Em primeiro lugar, vale lembrar que a nova composição do índice acabou limitando um pouco as perdas do índice na segunda-feira, como destaca matéria do jornal O Estado de S. Paulo de hojeA nova metodologia do Ibovespa, implantada a partir de maio, impediu que o índice tivesse perdas ainda maiores no primeiro pregão após o fim das eleições presidenciais. Isso porque na composição anterior ações de empresas como Eletrobras (ELET3;ELET6) e Petrobras (PETR3;PETR4) tinham peso maior que na atual. As ações da Petrobras caíram mais de 11% na sessão de ontem, enquanto os ativos da Eletrobras caíram cerca de 9%. 

Como os papéis de estatais, que formam o que o mercado batizou de “kit eleições”, tiveram as perdas mais acentuadas do Ibovespa na segunda-feira, 27, o fato de terem uma exposição menor no indicador evitou que o índice baixasse mais. 

As ações preferenciais da Petrobras têm hoje participação de 7,203% ante 8,119% na carteira teórica válida entre janeiro e abril deste ano. Já a participação das ações ordinárias subiu de 3,96% para 4,654%. No caso dos papéis preferenciais da Eletrobras, o peso passou de 0,4% para 0,22%. Os ordinários de 0,297% para 0,149%.

Para se ter ideia do peso que esses papéis exerciam sobre o índice, em janeiro de 2003 Petrobrás PN respondia por 18,38% do Ibovespa e Petrobras ON detinha 7,8%. No caso da Eletrobras, as fatias eram de 1,38% e 2%, respectivamente. Nas novas regras do Ibovespa, a forma de ponderação dos ativos mudou e passou a ser pelo valor de mercado dos papéis da empresa em circulação. Além disso, foi inserido um limite de participação por empresa de até 20%, impedindo que uma única companhia, a exemplo da Petrobras no passado, tivesse peso tão relevante.

Além disso, as quedas do Ibovespa registradas já na semana passada, quando já se sinalizava maior chance de reeleição refletiam mais este cenário, assim como de uma maior chance até de rebaixamento do rating de crédito brasileiro. 

“Dilma paz e amor”…
Soma-se a isso também a adoção de uma postura mais conciliadora de Dilma, pelo menos logo após sua reeleição. A presidente disse no discurso realizado após a confirmação de sua reeleição  que implementaria “grandes mudanças” rapidamente.

Em sua primeira entrevista após ser reeleita, Dilma afirmou que o recado dado pelas urnas é de mudança, de melhorias. Indagada sobre a palavra-chave da nova gestão, a petista disse com convicção: “Diálogo”.

E, em entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, disse que pretende anunciar as medidas econômicas antes do final de 2014, provavelmente em novembro. A petista afirmou que pretende dialogar com todos os setores da economia antes de começar a adotar medidas para transformar e retomar o crescimento econômico do país.

… mas as especulações dão o tom do mercado
Porém, no momento, o que pesa mais é a atenção do mercado para especulações de novos nomes para o ministério da Fazenda, que seriam mais pró-mercado. 

De acordo com notícias do jornal “Valor Econômico”, tanto Luiz Trabuco ( presidente do Bradesco), Nelson Barbosa (ex-secretário executivo), e Henrique Meirelles (presidente do Banco Central durante o Governo Lula) seriam indicações de Lula a Dilma.

Uma corrente no PT defende uma solução parecida com a de Lula na primeira fase, com um político com bom trânsito também no setor empresarial. Assim, algumas outras notícias falam sobre a possibilidade da escolha recair sobre o governador da Bahia, Jaques Wagner, que seria o “Antonio Palocci” de Dima.

O jornal “Folha de S. Paulo” destacou que Dilma, diante da permanência das reações negativas do mercado, que o governo esperava que passassem depois do fato consumado da reeleição, decidiu procurar o novo comandante da economia no mercado, com credibilidade entre os investidores. E cita Trabuco e o ex-presidente do Banco do Brasil, Rossano Maranhão, hoje no Banco Safra. Somado ao cenário externo mais positivo, o índice subiu nesta terça-feira.

Além disso, há a expectativa de que um reajuste de combustíveis neste ano alivie o caixa da Petrobras – apesar de algumas sinalizações de que ele seja abaixo do esperado. 

Porém, nem todos estão impressionados pelos primeiros passos de Dilma, uma vez que não há nenhuma sinalização concreta do governo de mudanças. Assim, vale esperar por medidas mais concretas – ou se o mercado irá reagir caso nada de concreto acontecer.

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(Com Agência Estado)