Análise

Os gráficos que mostram por que a rejeição de Bolsonaro cresceu tanto no Ibope

Ataques promovidos por adversários, campanha negativa nas redes e notícias desfavoráveis mobilizaram interesse dos usuários nas últimas semanas

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SÃO PAULO – Foram necessárias três semanas para que a campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) começasse a atingir de forma mais efetiva a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL). Dono de um verdadeiro latifúndio no horário de propaganda eleitoral gratuito no rádio e na televisão, o tucano mudou sua estratégia nos últimos dias e passou a atacar diretamente seu adversário. Os resultados da ofensiva começaram a aparecer, segundo estudo feito pela Bites, empresa de consultoria especializada em monitoramento digital.

Desde o início do período de campanha, Alckmin tem tido dificuldades em converter sua elevada exposição nos meios tradicionais em engajamento do eleitorado, sobretudo nas redes sociais. Em participação no programa Conexão Brasília no início do mês, Manoel Fernandes, sócio-diretor da Bites, disse que o tucano não conseguia combinar de forma satisfatória televisão e internet, tornando esta uma caixa de ressonância das mensagens propagadas na primeira. Em contrapartida, Bolsonaro nadava de braçada nas redes sociais.

A recente ofensiva contra Bolsonaro trouxe mudanças, embora o deputado mantenha o protagonismo nas redes. Em peça veiculada na TV a partir da última quinta-feira (20), Alckmin, pela primeira vez, atacou o adversário diretamente. O programa comparava o deputado a Hugo Chávez, ex-presidente da Venezuela, e alertava para os riscos de um “voto errado”.

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“Talvez esse seja um dos momentos mais delicados da nossa democracia. O risco de o Brasil se tornar uma nova Venezuela é real, a partir dos extremismos que estão colocados nesta eleição”, dizia a peça que chamava Bolsonaro de “despreparado, que representa um verdadeiro salto no escuro”.

As referências a Hugo Chávez despertaram curiosidade entre os eleitores. O primeiro gráfico abaixo mostra buscas pelo nome do ex-presidente venezuelano no Google. Os picos coincidem com os horários em que a propaganda de Alckmin foi veiculada na televisão. O caso se repete nas buscas por “Bolsonaro Chávez” e “Bolsonaro Venezuela”, como mostra o segundo gráfico.

1) Buscas por Hugo Chávez no Google

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Fonte: Google Trends
*Recorte baseado em estudo divulgado pela Bites Consultoria

2) Buscas por “Bolsonaro Chávez” e “Bolsonaro Venezuela” no Google

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Fonte: Google Trends

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“Nas buscas por Hugo Chávez e Venezuela na última semana no Google, observa-se que os picos mais significativos ocorreram justamente no horário eleitoral. Bolsonaro tem presença relevante entre as principais consultas relacionadas a Chávez. Ainda que a propaganda de Alckmin também tenha atacado Lula e o PT, o apoio do petista ao líder do país vizinho não é uma novidade e chama pouco a atenção dos internautas”, observam os analistas da Bites Consultoria.

Recentemente, cresceram as manifestações contrárias a Bolsonaro nas redes sociais, com a hashtag #EleNão ganhando destaque entre os usuários. Também reverberou nas plataformas digitais capa da revista The Economist, que classificava o candidato como uma “ameaça à democracia” brasileira. Outro tema que chamou atenção dos eleitores nas redes foi a ideia ventilada pelo guru econômico do candidato, Paulo Guedes (a quem chama de ‘posto Ipiranga’), da recriação de uma espécie de CPMF. A medida foi desautorizada por Bolsonaro após veiculação na imprensa e gerou um atrito entre ele e Guedes.

3) Evolução das buscas por “CPMF”, “Bolsonaro CPMF” e “Paulo Guedes” no Google

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Fonte: Google Trends

A agenda negativa a Bolsonaro pode ter pesado sobre seu desempenho na última pesquisa Ibope, divulgada na noite de segunda-feira (24). Segundo o levantamento, o deputado manteve a liderança da corrida presidencial, com os mesmos 28% de intenções de voto registrados uma semana antes. O deputado, contudo, viu o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad (PT) chegar a 22% e reduzir em 3 pontos percentuais a diferença em relação ao levantamento anterior, divulgado em 18 de setembro.

Nas simulações de segundo turno, Bolsonaro passou a perder de Haddad por 6 p.p., de Ciro Gomes (PDT) por 9 p.p. e de Geraldo Alckmin (PSDB) por 5 p.p.. Contra Marina Silva (Rede), o cenário agora é de empate. O deputado também viu sua rejeição subir de 42% para 46%, ultrapassando a marca anterior à facada de que foi vítima há 19 dias, durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG).

Mesmo assim, quem pensa que a capacidade de Bolsonaro mobilizar eleitores nas redes está comprometida engana-se. De acordo com as avaliações da Bites, ele ainda é, de longe, o presidenciável com maior presença em ambientes digitais e o mais buscado no Google. “O candidato lidera em pesquisas na plataforma, com distância significativa dos demais. As críticas ao deputado feitas por seus adversários e as declarações controversas de Paulo Guedes e do general Mourão tiveram repercussão relevante, mas ainda não foram capazes de desidratá-lo”, apontam os especialistas.

4) Evolução das buscas pelos 5 principais presidenciáveis no Google

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Fonte: Google Trends

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