Análise

Os dois maiores perdedores com a simples entrada de Joaquim Barbosa na corrida eleitoral

Presença de ex-presidente do STF na disputa eleva o risco político ao mercado e reforça cenário pessimista para a condução de uma agenda de reformas econômicas a partir de 2019

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SÃO PAULO – Dois nomes tradicionais tendem a sofrer mais com o provável ingresso do ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa (PSB) na corrida presidencial de outubro. Essa é a leitura que faz o analista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria. Ele acredita que, de um lado, o outsider deverá disputar uma fatia do eleitorado da ex-senadora Marina Silva (REDE), enquanto de outro, já conquista o apoio de antigos eleitores que votaram em candidatos tucanos em disputas anteriores, minando o espaço para crescimento do ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB).

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No caso do tucano, as perdas neste momento são maiores. Conforme observa o especialista, o estoque de votos iniciais de novos entrantes como Barbosa deve vir de um nicho que era mobilizado anteriormente pelo PSDB. “O padrão da intenção de voto em Barbosa é semelhante àquele do PSDB, ou seja, há uma tendência de crescimento à medida que a renda do eleitor cresce. A diferença entre Alckmin e Barbosa no índice geral se deve ao melhor desempenho do ex-ministro entre os indivíduos de renda mais alta”, escreveu Cortez no Mapa Político, disponível na Loja de Relatórios InfoMoney.

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Segundo o analista, a simples presença de Barbosa no cenário eleitoral gera ruído no discurso de campanha de Alckmin, que busca construir a imagem de pacificador. “Com a candidatura do ex-ministro, o tucano ficaria preso entre um discurso de ruptura política presente em Bolsonaro (que gera uma massa de eleitores fiéis) e Barbosa que, potencialmente, pode ter mais facilidade para unir uma agenda social com a imagem de renovação”, avaliou no relatório.

Já no caso de Marina Silva, o desempenho eleitoral da ex-senadora está associado à imagem de renovação, ainda que por dentro do sistema. Seu nome vem com a percepção de distanciamento do mainstream político. E é este parte do nicho também alcançado por Joaquim Barbosa caso venha a disputar as eleições em outubro. “Nesse momento, o diferencial da candidata da Rede é a maior participação entre os eleitores de renda mais baixa, provavelmente resultado do recall elevado das últimas campanhas presidenciais. Barbosa tem atributos pessoais semelhantes aos de Marina, que poderá gerar crescimento entre os eleitores de mais baixa renda”, explicou Cortez.

Nesse sentido, o especialista explica que há grandes riscos de canibalização de votos entre Marina Silva e Joaquim Barbosa. Além disso, pelos riscos que traz a outras candidaturas, a simples presença do ex-presidente do STF no jogo eleitoral eleva os riscos para o mercado, apresentando um cenário mais pessimista para a condução de uma agenda de reformas econômicas — seja pela vontade do nome escolhido, seja por suas condições políticas para tal.

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