Perspectivas

Os 7 eventos que irão definir o rumo do mercado na próxima semana

G-20, mercado de trabalho dos Estados Unidos e ritmo da economia brasileira estarão no radar dos investidores 

SÃO PAULO – Após sucessivas renovações de máximas do Ibovespa na última semana, os investidores acompanharão nos próximos dias a divulgação de indicadores importantes, especialmente nos Estados Unidos, e os desdobramentos da Cúpula dos Líderes do G-20, que reúne as maiores economias mundiais, nesta sexta-feira (30) e sábado (1) em Buenos Aires, na Argentina.

O encontro promete ser o evento mais importante do ano e deve ditar o ritmo para 2019. A avaliação é do estrategista global da XP Investimentos, Alberto Bernal, que espera um “cessar fogo” na disputa comercial entre China e Estados Unidos.

Norte-americanos e chineses travam uma guerra desde julho, após a imposição mútua de sobretaxas bilionárias. Iniciada pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump , a imposição de tarifas a produtos chineses atingiu em cheio as exportações comandadas por Xi Jinping.

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Segundo o estrategista, essa trégua se daria com Trump mantendo as tarifas nos níveis atuais em troca de comprometimento da China de evoluir as negociações comerciais mais rapidamente, com indicações de boa vontade. “Qualquer cenário alternativo seria, na nossa visão, negativo, levando a uma escalada das tensões comerciais e sério risco para o crescimento global”, avalia Bernal. 

A eventual queda na temperatura da guerra comercial pode complementar outra sinalização dada pelos Estados Unidos, também positiva para os ativos de risco. A ata do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano), divulgada na quinta-feira (29), confirmou o tom mais suave da autoridade monetária em relação à necessidade de alta de juros em 2019. 

Se essa sinalização for acompanhada do “cessar fogo” esperado para o fim de semana, Bernal acredita que será dado o gatilho necessário para a retomada dos mercados. No documento, os dirigentes destacaram que o caminho dos juros não está definido e será dependente de dados econômicos, que recentemente tem indicado menor necessidade de altas. 

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Em busca de mais pistas sobre o rumo dos juros nos Estados Unidos, os investidores acompanharão com atenção a divulgação de dados do mercado de trabalho norte-americano. Na quarta-feira (5) serão conhecidos os números do ADP, indicador que mede o número de trabalhadores não-rurais atualmente empregados. O dado é uma espécie de prévia do relatório mensal do mercado de trabalho, que será publicado na sexta-feira (7). 

Segundo estimativas da Rosenberg Associados, a economia norte-americana deve ter mantido a taxa de desemprego em 3,7% em novembro – no menor nível em quase cinco décadas. O ritmo de geração de postos de trabalho segue com média em 12 meses ao redor de 200 mil. Em novembro, a Rosenberg estima a geração de 205 mil vagas ante 250 mil postos de trabalho em outubro.

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A inflação de salários tem ficado abaixo do nível observado antes da crise de 2008, a despeito da aceleração observada nos últimos meses, e deve mostrar alta de 0,3% no valor por hora trabalhada ante 0,2% no mês anterior. 

Na cena doméstica, os investidores seguirão de olho na indicação dos últimos nomes para a equipe de Jair Bolsonaro, com destaque para o Ministério do Meio Ambiente. Entre os indicadores, atenção para a produção industrial de outubro, na segunda-feira (3), e a produção de veículos em novembro, divulgada na quinta-feira (6) pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), relativo ao mês de novembro será divulgado na sexta-feira (7) e deverá apresentar deflação de 0,13% no mês e inflação de 4,13% no acumulado dos últimos 12 meses. 

Por fim, o mercado continua em compasso de espera por novas informações relativas a aprovação do projeto de cessão onerosa, que poderá render R$ 60 bilhões ao governo, e chegou a um impasse
diante das dificuldades técnicas para viabilizar parte dos recursos arrecadados aos Estados e municípios. 

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A matéria esteve na pauta do Senado essa semana, mas não foi apreciada por falta de consenso em torno da partilha de royalties da cessão onerosa do pré-sal com estados e municípios. Na quarta-feira (28), o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), disse que não colocaria a matéria em votação porque não houve entendimento entre os membros da equipe econômica do governo atual e o do presidente eleito, Jair Bolsonaro.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (MDB-RR), disse que a votação só deve ocorrer a partir de terça-feira (4). “Até lá, continuamos construindo uma solução técnica para o repasse dos recursos aos Estados e municípios”, escreveu em seu Twitter.