Perspectivas

Os 6 indicadores e os 3 eventos políticos que vão agitar a próxima semana na bolsa

Última semana de agosto terá uma série de dados importantes para os investidores acompanhar, sem deixar a política de lado

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SÃO PAULO – O forte otimismo do mercado será testado na última semana de agosto. Se nos últimos dias a onda de notícias positivas, com o pacote de privatizações do governo e a aprovação da TLP na Câmara, levaram o Ibovespa para alta de mais de 3%, nos próximos dias a agenda recheada de indicadores deve ser o principal “driver” do mercado – sem deixar a política de lado.

Serão pelo menos seis indicadores importantes. A semana começa mais tranquila, ganhando força a partir da terça-feira (29), quando será divulgado o resultado fiscal do governo central e o consolidado. Serão os primeiros resultados mensais anunciados após o governo confirmar a elevação da meta de déficit primário para R$ 159 bilhões neste e no próximo ano.

Na quarta-feira (30), os Estados Unidos irão divulgar seu PIB (Produto Interno Bruto) do segundo trimestre, às 9h30 (horário de Brasília). A expectativa compilada pela Bloomberg é que a maior economia do mundo cresça 2,7% no período, ficando levemente acima dos 2,6% do resultado anterior.

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No dia seguinte será a vez do mercado brasileiro agitar com a divulgação dos dados de emprego da PNAD Contínua, às 9h, que segundo os analistas deve ter uma alta na taxa de desemprego de 13% para 13,1%. Mas será mesmo na sexta-feira (1) que a agenda deve trazer bastante agitação ao mercado, com três grandes eventos.

Ainda de madrugada será divulgado o PMI da indústria na China, o que pode afetar o desempenho de ações ligadas à commodities, principalmente a Vale e as siderúrgicas. Às 9h será a vez do PIB brasileiro, que, de acordo com análises compiladas pela Bloomberg, deve ficar em 0,2% no resultado trimestral – ante 1% no primeiro trimestre – e 0,1% no anualizado – contra queda de 0,4% no último resultado.

Por fim, às 09h30 sai o relatório de emprego nos EUA. O conjunto de dados da economia americana tem tido muita importância para o mercado acompanhar os próximos passos do Federal Reserve e a possível alta de juros no país, que pode ocorrer ainda este ano. Apesar da projeção do Fed apontar para mais uma elevação em 2017, o mercado não vê chances disso acontecer antes de junho de 2018.

Apesar de não ser um evento, é importante ainda ficar de olho no desempenho dos juros. A próxima semana será a última antes do Copom (Comitê de Política Monetária) e o mercado já começa a precificar uma Selic abaixo de 7% no fim deste ano. Os contratos de DIs curtos seguem em forte queda de olho nesta avaliação e a tendência é que o mercado fique mais agitado com a proximidade da reunião do Banco Central

A política não para
Mesmo com as recentes vitórias do governo no Congresso, a política segue como o principal pano de fundo dos investidores – com destaque para o andamento do projeto da TLP e da reforma política -, além também da viagem do presidente Michel Temer à China, que pode ainda coincidir com o surgimento de uma nova denúncia contra ele.

Na próxima terça-feira, o peemedebista viajará para a China para fazer apresentações para investidores locais. O programa de concessão e privatização será incluído em todas as palestras que ele fizer para os empresários chineses. Nas reuniões, os projetos de privatização serão apresentados pela equipe do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), coordenada pelo Secretário Especial do programa, Adalberto Vasconcellos.

O pacote que será levado à China vai destacar os projetos de energia, que têm grande possibilidade de participação chinesa. O governo também vai “vender” aos asiáticos os projetos nas áreas de transportes, rodovias, hidrovias, ferrovias, terminais portuários, e a Eletrobras.

A questão é que, segundo informa a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, aliados do presidente apostam que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentará a segunda denúncia durante a viagem. Isso pode voltar a trazer grande tensão no mercado, já que coloca em risco novamente o andamentos das propostas do governo no Congresso. 

No Congresso, a Câmara deve terminar de votar os destaques da proposta da criação da TLP na terça-feira, para então poder liberar a Medida Provisória para ser votada no Senado – o que precisa ocorrer antes de 7 de setembro para o texto não caducar. Enquanto isso, a reforma política também deve ser analisada na Casa, após os deputados fatiarem as propostas do texto para serem votadas separadamente.

Confira a agenda completa de indicadores clicando aqui.