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Os 5 eventos que vão agitar os mercados na semana

Confira no que ficar de olho nesta segunda e na semana antes de operar na B3

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SÃO PAULO – A semana já começa bastante movimentada, com destaque para o parecer sobre a denúncia contra Michel Temer na CCJ (com o presidente já se preparando para o pior resultado contra ele), além de nova reunião do PSDB para decidir se segue ou não no governo. Já no exterior, atenção para as commodities, com alta do minério de ferro e queda do petróleo. Confira os destaques desta segunda e da semana:

1. Bolsas mundiais

A semana começa com alta tímida das principais bolsas europeias, apesar da queda do petróleo, com os mercados à espera de novas sinalizações de bancos centrais. Nesta semana, a chairwomand do Federal Reserve, Janet Yellen, fala ao Congresso nos EUA, enquanto o BCE (Banco Central Europeu) se reúne na próxima semana. 

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Já na Ásia, o iene tem 2ª baixa após Kuroda dizer que BOJ se mantém pronto para ajustar sua política se necessário após ação da última semana para evitar alta dos rendimentos. Enquanto isso, os índices acionários chineses registraram leves baixas à espera de importantes dados econômicos na próxima semana. O mercado já espera atentamente pelos dados do PIB na próxima segunda-feira (17), junto com dados de junho da produção industrial e das vendas no varejo e investimentos em ativo fixo entre janeiro e junho.

No mercado de commodities, o petróleo cai pelo segundo dia seguido, enquanto o minério de ferro avança na China. 

Às 8h, este era o desempenho dos principais índices:

*CAC-40 (França) +0,30%

*FTSE (Reino Unido) +0,25%

*DAX (Alemanha) +0,52% 

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*Hang Seng (Hong Kong) +0,63% (fechado)

*Xangai (China) (fechado) -0,19% (fechado)

*Nikkei (Japão) +0,76% (fechado)

*Petróleo WTI -0,95%, a US$ 43,81 o barril

*Petróleo brent -0,98%, a US$ 46,25 o barril

*Minério de ferro 62% spot negociado no porto de Qingdao, na China, +1,99%, a US$ 64,05 por tonelada

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian +1,48%, a 480 iuanes

2. Denúncia contra Temer na CCJ abre semana

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A discussão na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) em torno da denúncia apresentada pela Procuradoria Geral da República contra o presidente Michel Temer estará no centro das atenções da Câmara dos Deputados nesta semana. O trâmite na CCJ terá início nesta segunda-feira às 14h30, com a leitura do parecer do relator Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) pela admissibilidade ou não da denúncia. Ainda na segunda-feira, logo após a apresentação do relator, a defesa de Michel Temer deve fazer a exposição oral de seus argumentos na CCJ.

No domingo,  Temer se reuniu com os presidentes da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) e do Senado Eunício Oliveira (PMDB-CE), além de ministros e  líderes da base aliada para discutir a votação. De acordo com jornais de hoje, o governo prevê parecer contra Temer e prepara estratégia para vencer na CCJ. O Planalto contabiliza vitória com 41 votos na CCJ, incluindo trocas de membros ainda a serem feitas; outros aliados, contudo, esperam apenas 30, diz a coluna Painel, da Folha. A partir de quarta-feira (12), os membros da comissão devem começar a fase de debates em torno do parecer. A expectativa é que a discussão se estenda por mais de 40 horas, já que a presidência da comissão permitiu que todos os 66 membros e seus respectivos suplentes tenham direito à fala por até 15 minutos. 

Outro ponto de atenção da política nesta semana é a possibilidade de sair uma delação premiada do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Segundo a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, ele já está finalizando os textos com as informações para o acordo de delação e rascunhou mais de cem anexos para a colaboração. De acordo com a reportagem, Cunha deve envolver diretamente Temer, os ministros Moreira Franco (Secretaria Geral) e Eliseu Padilha (Casa Civil) e o senador Romero Jucá (PMDB-RR) em sua delação, assim como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Contudo, Maia estaria livre de “disparos atômicos” tanto da JBS quanto de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) caso venha a assumir a Presidência da República no lugar de Temer, diz a colunista em reportagem desta segunda-feira. Neste sentido, o mesmo jornal apontou no final de semana que o ministro da Fazenda Henrique Meirelles já discute eventual governo Maia e estabelece condição para seguir ministro: maior autonomia. Contudo, o ministro nega essa informação (veja mais clicando aqui). 

Por fim, lideranças do PSDB se encontram nesta segunda em São Paulo para uma nova tentativa de construir um consenso interno e, assim, estancar a sangria da legenda. O encontro, de iniciativa do governador Geraldo Alckmin, contará com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o presidente interino do PSDB, Tasso Jereissati, e o prefeito de São Paulo, João Doria. 

3. Votações no Congresso

Para além da CCJ, também está programada para a noite de quarta-feira a sessão do Congresso Nacional que deve analisar 15 vetos presidenciais, além do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2018. Com mais de 1500 emendas ao texto da proposta, o relatório do deputado Marcus Pestana (PSDB-MG) deve ser discutido pelos deputados e senadores. De acordo com a Constituição, os parlamentares não podem entrar em recesso, previsto para se iniciar na próxima sexta-feira (17), sem que a lei tenha sido votada. Esta será a primeira LDO a ser votada após aprovação da emenda constitucional do Teto de Gastos Públicos, que atrela os gastos à inflação do ano anterior por um período de 20 anos.

Já sobre a reforma trabalhista no Senado, após a vitória folgada do requerimento de urgência na última semana, a matéria deve ir a plenário possivelmente na terça-feira (11). O mercado se mostra otimista com a reforma, mas ficou mais cético com a Previdência com o agravamento da crise política. 

Além disso, já na quarta-feira, a CCJ inicia pela manhã a sabatina de Raquel Dodge para a PGR. Após ouvirem as respostas da procuradora, os membros da comissão vão votar a indicação dela para o cargo de procuradora-geral da República. A expectativa é que, após a votação na comissão, seja aprovada urgência para que a indicação seja apreciada em plenário no mesmo dia. Raquel Dodge foi indicada ao cargo pelo presidente Michel Temer para suceder Rodrigo Janot, cujo mandato à frente da PGR termina em setembro.

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4. Agenda econômica da semana

Após um relatório de emprego inconclusivo nesta sexta-feira (7), com emprego forte mais salário mais fraco, a próxima semana terá uma série de eventos que devem ajudar o mercado a entender melhor o cenário que definirá os próximos passos do Federal Reserve. Na quarta-feira, às 9h30 (horário de Brasília), a presidente da autoridade, Janet Yellen falará no Congresso americano e pode dar novos sinais.

No mesmo dia às 15h também será apresentado o Livro Bege, que apesar de trazer menos informações importantes que as reuniões do Fed, ajuda a mostrar para o mercado a visão da autoridade americana sobre a economia do país. Além disso, espalhados pela semana diversos outros dirigentes do Fed também discursarão.

Entre os indicadores, fica em destaque os dados de inflação do PPI e do CPI, na quinta e na sexta-feira, respectivamente, ambos às 9h30, além do indicador de vendas no varejo também no dia 14 no mesmo horário. Na China, saem os dados da balança comercial e inflação.

No Brasil, a agenda de indicadores é mais fraca após o IPCA desta sexta ficar abaixo do previsto em junho, com a primeira deflação em 11 anos. O mercado deve seguir definindo suas posições sobre a Selic, com aumento das apostas de corte de 100 pontos-base. Entre os dados, vendas no varejo (quarta-feira às 9h) e IBC-Br (sexta-feira às 8h30) são destaques da próxima semana.

Além disso, atenção para as divergências com relação à criação da TLP (Taxa de Longo Prazo) que culminaram no pedido de demissão de dois diretores do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No sábado, Meirelles afirmou que discutiria as divergências e conversaria com o presidente do banco de fomento, Paulo Rabello de Castro, sobre o assunto.  Em entrevista ao Estadão, Rabello disse que a fórmula da TLP pode prejudicar as empresas tomadoras de crédito na instituição, ao reduzir a “previsibilidade” das condições dos financiamentos.

5. Noticiário corporativo

Segundo fontes ouvidas pela Reuters, a J&F encerrou a negociação com a Cambuhy e a Itaúsa para a venda da Alpargatas, que teria se encerrado por discordância em relação ao preço.  De acordo com a fonte, a J&F não cedeu à pressão da Cambuhy Investimentos e da Itaúsa para que reduzisse o preço pedido por sua fatia controladora de 86% na Alpargatas ao término do período de exclusividade das negociações, no domingo. A fonte se recusou a informar o tamanho da diferença de preço. Já a Ômega Geração, do setor de energia renovável, poderá movimentar até R$ 1,4 bilhão em sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), se considerado o teto da faixa indicativa de preço dos papéis, de lotes extras de R$ 17 a R$ 22, e a colocação de ações.  No próximo dia 27, a ação deverá ser precificada. A estreia da companhia na B3 está agendada para 31 de julho.  

Já a  Cemig informou na sexta-feira que o seu plano de desinvestimentos inclui ativos que somam valor de R$ 8,046 bilhões, ante R$ 6,564 bilhões divulgados em 1º de junho. Ainda sobre estatais, a  Petrobras informou que a Corte Federal de Apelações do Segundo Circuito (United States Court of Appeals for the Second Circuit) anulou a decisão de certificação de classe e determinou que a 1ª instância reavalie a matéria.  

(Com Agência Brasil, Bloomberg e Agência Estado)