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Os 5 assuntos que vão agitar os mercados nesta quarta-feira

Confira em que se atentar na abertura do mercado brasileiro

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SÃO PAULO – Após a euforia da véspera, com o Ibovespa subindo 2,01% na esteira da proposta de privatização da Eletrobras, os investidores continuam digerindo o noticiário sobre a companhia, além de ficarem de olho em potencial anúncio de novas privatizações e concessões nesta quarta-feira, quando será realizada a reunião do Conselho do PPI. TLP, IPCA-15 e reforma política também estão no radar dos mercados. Confira os destaques desta quarta:

1. Bolsas mundiais

Os mercados externos têm desempenho misto, com o presidente dos EUA Donald Trump voltando a influenciar os ativos após acenar com fim do Nafta e shutdown. O peso mexicano cai após Trump dizer que pode levar governo americano a um shutdown, pressionando Congresso a financiar muro na fronteira com o México, e também afirmar que poderá acabar com o Nafta em algum momento. Já o euro tem leve alta contra dólar após PMI manufaturas ficar acima do previsto na zona do euro: o índice teve ligeiro aumento em agosto, para 55,8, de 55,7 em julho. O resultado surpreendeu analistas consultados pela Dow Jones Newswires, que previam queda do indicador a 55,4. 

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As bolsas da Ásia e do Pacífico, por sua vez, fecharam sem direção única pelo terceiro dia seguido nesta quarta-feira, com a cautela prevalecendo antes da conferência anual do Federal Reserve de Jackson Hole. Os investidores estão  à espera de discursos que os presidentes do Fed, Janet Yellen, e do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, farão durante o simpósio do BC americano em Jackson Hole (Wyoming).

 No mercado de commodities, o petróleo tem leve baixa e se mantém abaixo de US$ 48 após API apontar alta dos estoques de combustíveis e à espera de dados do Departamento de Energia. O cobre e níquel sobem em Londres, mas vergalhão de aço e minério de ferro têm queda expressiva em Dalian, na China. 

Às 8h10, este era o desempenho dos principais índices:

*CAC-40 (França) +0,03%

*FTSE (Reino Unido) +0,03%

*DAX (Alemanha) -0,04% 

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*Hang Seng (Hong Kong) -0,08% (fechado)

*Xangai (China) (fechado) 0% (fechado)

*Nikkei (Japão) +0,26% (fechado)

*Petróleo WTI -0,13%, a US$ 47,75 o barril

*Petróleo brent -0,35%, a US$ 51,69 o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian -3,82%, a 579 iuanes

2. Agenda de indicadores

O destaque desta quarta-feira fica para o IPCA-15 de agosto, que será divulgado pelo IBGE às 9h. Segundo a equipe de análise da Rosenberg Associados, a expectativa é de variação de 0,38%, revertendo a deflação registrada no mês anterior, de -0,18%. Por outro lado, o IPCA em doze meses deve continuar em queda, saindo de 2,8% para 2,7%.  Às 10h30, o Banco Central divulgará a nota do setor externo. Já o Banco Central divulga o fluxo cambial semanal às 12h30. 

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Nos EUA, atenção para os dados prévios de agosto PMIs industrial, serviços e composto divulgados pelo Markit. Os números serão divulgados às 10h45. Às 11h30, o Departamento de Energia revelará os dados de estoques de petróleo semanal. 

3. Privatizações

Os olhos do mercado também estarão de olho na reunião do Conselho do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos) às 14h30, em que o presidente Michel Temer participará. Segundo informou o jornal O Globo na véspera, o governo anunciará uma carteira de 58 projetos que serão incorporados ao PPI (Programa de Parcerias de Investimentos) para serem colocados à venda ou concedidos ao setor privado. O governo espera investimentos de pelo menos R$ 44 bilhões, sendo que metade deste valor deverá ingressar nos primeiros cinco anos, segundo o jornal. 

Os detalhes serão divulgados depois da reunião do conselho do PPI, marcada para quarta-feira. Dois dos principais projetos, caso da privatização da Eletrobras e do aeroporto de Congonhas, foram incluídos na lista recentemente, diante da necessidade do governo em obter receitas para cumprir a meta fiscal de déficit primário de R$ 159 bilhões em 2018.

Sobre a situação econômica do Brasil, vale destacar a fala de ontem do diretor-geral de ratings soberanos da S&P Global Ratings, Roberto Sifon Arevalo, que afirmou que a agência de classificação de risco pode não esperar os resultados da eleição de 2018 para alterar a nota do Brasil, que, com perspectiva negativa, tem chance maior de ser rebaixada do que melhorada. Sifon afirma que a equipe econômica do presidente Michel Temer tem mostrado “nível elevado de comprometimento e disposição” em implementar medidas para o ajuste fiscal. Ao mesmo tempo, a consolidação das contas do Brasil tem sido muito gradual para um problema severo, pois houve forte deterioração nas contas públicas nos últimos anos.

4. Reforma política, TLP e Lava Jato

A quarta-feira também promete ser movimentada no Congresso. Após várias tentativas de votação na última terça, a análise da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 77/03, que altera o sistema político-eleitoral brasileiro, foi novamente adiada por falta de consenso. A proposta será analisada no plenário da Câmara dos Deputados em sessão marcada para as 9h desta quarta-feira (23). 

O texto do relator, deputado Vicente Candido (PT-SP), prevê um fundo com recursos públicos para financiar as campanhas eleitorais e o voto distrital misto a partir de 2022. O próprio partido de Candido tem propostas para alterar a PEC, como a diminuição dos custos de campanhas eleitorais e a rejeição do chamado “distritão”, modelo que prevê a adoção de sistema majoritário para eleição de deputados federais e estaduais em 2018 e para vereadores em 2020.

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Também às 9h, destaque para a votação da TLP (Taxa de Longo Prazo) na Comissão Mista de Orçamento, após a dobradinha entre os senadores da oposição e José Serra (PSDB-SP) impor derrota ao governo e atrasar a votação da proposta. Ontem,  o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), encerrou a sessão da comissão mista que discutia a Medida Provisória 777 e foi criticado pelo presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE). “O Lindbergh errou e reconheceu que errou. Quando uma questão de ordem é levantada, você pode deferir ou indeferir, mas se houver recurso da sua decisão, você tem que submeter ao plenário”, afirmou Eunício. Segundo a LCA Consultores, a  forte reação da base aliada à decisão de adiamento da sessão do por Lindbergh sugere que são boas as chances de vitória hoje na comissão especial. “O próximo desafio será conseguir junto ao presidente da Câmara Federal, Deputado Rodrigo Maia, que este parecer seja votado ainda hoje no plenário da Casa”, afirma a consultoria. 

Já no noticiário “político-policial”, dois destaques. Em primeiro lugar, a  PF (Polícia Federal) concluiu que não houve crime de obstrução de justiça na indicação do ministro Marcelo Ribeiro Navarro Dantas ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) por parte da ex-presidente Dilma Rousseff em 2015. A constatação faz parte do relatório final da PF sobre um inquérito que tramita em segredo de justiça no STF (Supremo Tribunal Federal) e investiga se houve, na indicação de Navarro por Dilma, algum tipo de articulação para barrar a Lava Jato, por meio da atuação do ministro no STJ. A PF cumpre nesta manhã quatro mandados de busca e apreensão na 45ª fase da Operação Lava Jato nas cidades de Salvador, Brasília e Cotia, em SP, na chamada Operação Abate II. Segundo nota da PF, foi identificada a participação de “novos interlocutores que atuaram junto a Petrobras para favorecer a contratação de empresa privada e remunerar indevidamente agentes públicos”.

5. Noticiário corporativo

A notícia de privatização da Eletrobras segue sendo destaque no noticiário. Segundo fonte ouvida pela Bloomberg, a Eletrobras decidirá por modelo que gera receita primária. Em entrevista ao jornal O Globo, o presidente da empresa, Wilson Ferreira Jr., disse ainda que a empresa não será vendida a preço de banana. 

Além de Eletrobras, destaque para o BTG, que fechou acordo para distribuir Evli Funds na América Latina. Já o Globo informa que a Cemig busca R$ 6,2 bilhões junto ao BNDES. A CSN, por sua vez, teve o rating cortado para CCC com observação negativa por S&P. Por fim, o Valor informa que a OPA da Unipar Carbocloro deve fracassar. 

Já no InfoTrade de hoje, destaque para Petrobras (PETR4), que superou importante resistência de curtíssimo prazo (confira clicando aqui).

(Com Bloomberg, Agência Brasil e Agência Estado)