Os 10 números catastróficos que mostram a decadência do PT

Já se esperava que o partido não tivesse bons resultados nestas eleições, mas a análise mostra o impacto gigantesco da crise vivida pelo PT

Rodrigo Tolotti

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SÃO PAULO – Não chegou a ser uma surpresa, mas os números do PT nas eleições de 2016 conseguiram ressaltar o momento complicado pelo qual vive o partido que governou o país nos últimos 13 anos. Os recentes protestos pelo país que pressionaram a ex-presidente Dilma Rousseff, não só se espalharam para todo o PT como se refletiu no desempenho de seus candidatos, levando a uma grande queda no número de vitórias em todas as regiões.

E este efeito terá grande reflexo daqui para frente. Além da perda da força política para as eleições de 2018, o PT também deve ter grandes problemas no Congresso, por conta da menor capacidade de conseguir apoio pelo fato de que a sigla não terá muitas prefeituras para ajudar na campanha daqui dois anos.

Confira abaixo 10 dados que mostram por que o PT saiu das eleições como o partido mais derrotado do país:

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1) Número de prefeituras
A queda de prefeituras fará o partido voltar quase para o nível “pré-Lula”. Em 2000, a sigla tinha 187 prefeituras pelo país, com um salto ocorrendo quatro anos depois, com apoio na vitória presidencial, passando para 411 prefeitos eleitos em 2004. O resultado do partido continuou crescendo, com o pico ocorrendo em 2012, quando o PT conquistou 644 prefeituras.

Neste ano, apenas 256 petistas foram eleitos, sendo que ainda existem mais sete que disputarão o segundo turno, podendo elevar o resultado para 263. Porém, mesmo no melhor cenário, com todos eles vencendo, a queda em relação a 2012 será de 59%, sendo o pior resultado entre todos os partidos.

2) Ranking dos partidos
Com a forte queda na quantidade de prefeitos eleitos, o Partido dos Trabalhadores também desabou no ranking por partidos. Em 2012 a sigla era a terceira na quantidade de prefeituras, este ano passou para décima, ficando atrás de DEM e PTB.

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3) Número de votos
O partido também foi o que teve a maior queda em número de votos para prefeito no primeiro turno. Seus candidatos receberam, ao todo, 6,8 milhões de votos, contra 17,2 milhões há quatro anos, o que representa uma queda de 60%.

4) Receita
Com o resultado mais fraco nas urnas, o PT também deve ter menos receita e população administrada por seus filiados. O jornal Folha de S. Paulo fez um levantamento com dados de 4.817 cidades e informações na Secretaria do Tesouro Nacional, indicando uma queda de 84% no volume de receitas que serão geridas por prefeitos petistas. A estimativa, segundo a publicação, é conservadora, sem atualização da inflação. A receita, segundo este levantamento, deve cair de cerca de R$ 84 bilhões em 2012 para R$ 13,5 bilhões.

5) Derrota nas grandes cidades
Não deixa de ser um reflexo do desempenho geral, mas o PT também mostrou um péssimo resultado quando o assunto são as grandes cidades (com mais de 200 mil eleitores). Das 94 maiores cidades do país, o PT só elegeu um prefeito e foi pra sete segundo turnos.

6) Resultado para vereador
No pleito para vereador o PT também mostrou grande perda de força elegendo apenas 2.808 candidatos. Isto deixa o partido na décima colocação entre as siglas que mais conseguiram eleger candidatos. PMDB, com 7.570, e PSDB, com 5.369, foram os dois partidos que mais tiveram vitórias.

7) Sem força em seu próprio reduto
No ABC Paulista, considerado o maior reduto petista, o partido não conseguiu ficar com nenhuma prefeitura. Em São Caetano a disputa já foi definida e colocou Auricchio (PSDB) como o novo prefeito. Já em São Bernardo do Campo o candidato petista não conseguiu nem passar para o segundo turno, que será disputado entre Orlando Morando (PSDB) e Alex Manente (PPS). Santo André é a esperança da sigla, que colocou Carlos Grana para enfrentar Paulo Serra (PSDB) no fim deste mês.

8) Filho de Lula derrotado
Nem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu mostrar alguma força no pleito. Em São Bernardo do Campo, um de seus filhos, Marcos Cláudio Lula da Silva, não conseguiu ser reeleito para o cargo de vereador. Marcos Lula é filho do primeiro casamento de Marisa Letícia, esposa de Lula, e adotado pelo ex-presidente. Ele teve apenas 1.504 votos este ano, enquanto em 2012 foram 3.882.

9) Pior votação em São Paulo
Desde 1992, o PT nunca ficou fora do segundo turno – ficou desta vez. Ao receber 16,7% dos votos válidos, Haddad ficou atrás até mesmo de Eduardo Suplicy, que, ao enfrentar Jânio Quadros na disputa pela prefeitura, em 1985, chegou à marca de 19,75%.

10) Governadores perderam nas capitais
Dos quatro governadores do PT (Acre, Minas Gerais, Piauí e Bahia), apenas o do Acre, Tião Viana, conseguiu superar as dificuldades e eleger o prefeito da capital. Em Rio Branco, o vencedor ainda no primeiro turno foi o engenheiro Marcus Alexandre, que renovou o mandato na prefeitura e conseguiu 54,8% dos votos válidos.

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Rodrigo Tolotti

Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.