Orgulho de ser brasileiro cai e pessimismo aumenta, mostra Datafolha

Pesquisa revela piora no humor nacional, com alta da insegurança, tristeza e medo do futuro; avaliação sobre Lula também se deteriora

Marina Verenicz

Ativos mencionados na matéria

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante sessão solene por ocasião da assinatura de Declaração de Intenções entre o Brasil e a Interpol. Sede da Interpol, Lyon - França
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante sessão solene por ocasião da assinatura de Declaração de Intenções entre o Brasil e a Interpol. Sede da Interpol, Lyon - França

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O sentimento de orgulho de ser brasileiro caiu significativamente, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (12).

Em 2023, 83% dos entrevistados diziam sentir mais orgulho do que vergonha da nacionalidade. Agora, esse índice caiu para 74%. Ao mesmo tempo, aumentou o percentual dos que afirmam sentir mais vergonha: de 16% para 24%.

A pesquisa foi realizada com 2.004 eleitores em 136 municípios, entre os dias 10 e 11 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

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Pessimismo atinge 50% e medo do futuro bate recorde

O pessimismo sobre a situação atual do país também aumentou. O índice de brasileiros que veem o momento com pessimismo subiu de 47% em setembro de 2023 para 50% em junho de 2025 — uma trajetória crescente desde os 41% registrados em 2020. Já os otimistas diminuíram de 35% para 31% no mesmo intervalo.

O medo do futuro atingiu o maior nível da série histórica: 63% dizem ter medo do que está por vir, frente a 35% que afirmam estar confiantes. Em 2020, o índice de medo era de 57%.

Emoções negativas dominam percepção da população

A insegurança é o sentimento mais mencionado entre os brasileiros, com 73% dos entrevistados relatando essa sensação. O desânimo aparece em 64%, seguido de tristeza (63%).

Apenas 26% se dizem seguros, 35% animados e 34% felizes. A esperança (45%) disputa espaço com o medo (54%), e a raiva (55%) supera a tranquilidade (42%).

A pesquisa mostra que a percepção do país está fortemente atrelada à preferência política. Entre os eleitores declarados de Jair Bolsonaro, 68% dizem sentir raiva ao pensar no Brasil — quase o dobro dos 37% entre os que pretendem votar em Lula.
Entre os apoiadores de Lula, 47% dizem estar otimistas com o país, contra apenas 18% dos bolsonaristas.

Lula enfrenta desgaste na imagem pessoal

O Datafolha também mediu o sentimento em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para 56% dos entrevistados, Lula causa mais vergonha do que orgulho; apenas 40% afirmam o contrário. É uma reversão completa em relação à última vez em que a pergunta foi feita, em 2005, quando 54% diziam ter orgulho do petista, mesmo com o mensalão em curso.

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A taxa de orgulho em relação à Lula é maior entre os eleitores com ensino fundamental (55%). Entre os que cursaram até o ensino médio, o número cai para 34%, e para 36% entre quem tem ensino superior.

O sentimento negativo é mais intenso entre evangélicos: 69% dizem ter vergonha do presidente. Já entre os católicos, o cenário é mais dividido, com 50% de vergonha e 47% de orgulho.

Comparações históricas mostram erosão do orgulho

O menor índice de orgulho já registrado foi em junho de 2017, quando 50% dos entrevistados se diziam orgulhosos e 47% afirmavam sentir vergonha — à época, o país vivia a ressaca política do impeachment de Dilma Rousseff e os escândalos da Lava Jato. Já o pico do orgulho nacional ocorreu em novembro de 2010, último ano do segundo mandato de Lula, com 89% declarando orgulho da nacionalidade.