Suposta delação

Oposição pede renúncia, Dilma fica indignada: a reação da política a Delcídio em 11 pontos

Apesar de, em nota, ele não confirmar a informação, o noticiário político ficou bastante conturbado com a possível delação explosiva do senador

SÃO PAULO – A suposta delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) divulgada pela revista IstoÉ nesta quinta-feira (03) repercutiu no cenário político. Delcídio teria citado o ex-presidente Lula e acusado a presidente Dilma Rousseff de interferir na Operação Lava Jato.

Apesar de, em nota, ele não confirmar a informação e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ter afirmado não ter conhecimento sobre a delação, diversos veículos de imprensa confirmaram que houve a delação (não homologado pelo STF) do senador. E, com isso, o noticiário político ficou bastante conturbado com a possível delação explosiva do senador. 

 Enquanto os petistas afirmaram a necessidade de confirmar a notícia e desqualificaram a fala do senador, integrantes da oposição chegaram até a pedir a renúncia da presidente e a falar que a presidente chegou ao fundo do poço. Em reunião dos senadores e deputados de oposição, foi definido que as acusações reveladas na delação premiada do senador Delcídio serão incluídas no pedido de impeachment da presidente Dilma, que tramita na Câmara dos Deputados.

PUBLICIDADE

Confira abaixo as reações do mundo político sobre a suposta delação de Delcídio do Amaral:

Fala de integrantes do governo e membros do PT

Jaques Wagner, ministro-chefe da Casa Civil
O ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, disse que a presidente Dilma Rousseff está preocupada e recebeu com indignação a notícia. “Ela [presidente Dilma] está preocupada, porque eu acho que é uma coisa totalmente fora de qualquer padrão, uma delação que eu não sei se foi, pelo que sei não foi homologada, que envolve ministros e principalmente a figura da presidente da República”.

Segundo o ministro, Dilma recebeu a notícia “com a mesma indignação” que ele “ou talvez mais”, já que “envolve diretamente o nome dela”. Para Jaques Wagner, se o senador fechou acordo, as declarações deveriam ser mantidas em sigilo. Cabe à Procuradoria-Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal investigar se houve vazamento, o que considerou “gravíssimo” e “intolerável”.

José Eduardo Cardozo
O recém-empossado advogado-geral da União (AGU) e ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse hoje (3) que recebeu inúmeras visitas de Delcídio quando comandava o Ministério da Justiça. Apesar de, na época, Delcídio fazer as visitas sob as mais diversas justificativas, Cardozo entende, agora, que o motivo real dos encontros era tentar induzi-lo a atuar contrariamente às delações premiadas firmadas por investigados pela Polícia Federal. Para Cardozo, Delcídio tinha medo de acabar sendo citado em alguma delação.

“Delcídio vinha quase que diariamente ao ministério. Meus assessores testemunharam a presença cotidiana dele por aqui. Eu até brincava que ia colocar uma placa com o nome dele em uma salinha. Vinha, aparentemente, por assuntos diversos, mas o que ele mais falava era: ‘temos de ver essa história de os réus estarem sendo pressionados para fazerem delação premiada’”, lembrou Cardozo, em discurso após transmitir o cargo de ministro da Justiça ao procurador Wellington César Lima e Silva.

Nesses encontros, Cardozo disse, que ao ouvir os argumentos de Delcídio, solicitou ao senador que enviasse uma representação pedindo investigação da denúncia. De acordo com Cardozo, Delcídio nunca enviou o pedido. Segundo Cardozo, Delcídio dava a impressão “de estar defendendo uma causa”, ao dizer que alguns estavam tentando prejudicar o governo. “Agora eu vejo que ele não estava defendendo nada ali, além do fato de não querer essas delações, para não ser prejudicado”. A situação, segundo o ex-ministro, “beirava o insuportável”.

Henrique Fontana (RS), vice-líder do PT
O vice-líder do PT, deputado Henrique Fontana (RS), afirmou que é preciso a confirmação das supostas denúncias de Delcídio, mas espera que as investigações atinjam todos. 

“No nosso governo, não temos medo nenhum de passar o País a limpo. Aliás, a mais profunda investigação sobre corrupção da história do Brasil está ocorrendo neste momento. A reivindicação que nós temos, que é óbvia, é que essa investigação sobre corrupção não pode ser usada para alimentar uma crise política, e muito menos ser feita de forma antirrepublicana. Nós temos que investigar a corrupção que ocorreu nos governos do PSDB, do PT, fora de governos, no setor privado”, declarou.

Gilberto Carvalho, ex-ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência
O ex-ministro e um dos principais aliados do ex-presidente Lula, Gilberto Carvalho afirmou ao Estadão que foi de indignação a sua primeira reação ao saber do vazamento da delação de Delcidio. Para ele, a insinuação de que Lula teria induzido Delcídio a repassar dinheiro para ajudar o ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró a fugir do País “beira o raio da loucura”. “A palavra dele (Delcidio) é tão vazia, tão desacreditada. Ele vai ter que mostrar provas. É mais uma pólvora da Lava Jato que se esvai”.

Lula
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou a participação em qualquer atividade ilegal relacionada aos fatos investigados pela Operação Lava Jato, ou em quaisquer outros.

Em nota divulgada pelo Instituto Lula, o ex-presidente diz que “jamais participou, direta ou indiretamente, de qualquer ilegalidade, seja nos fatos investigados pela Operação Lava Jato, ou em qualquer outro, antes, durante ou depois de seu governo”. O texto não cita a suposta delação premiada que teria sido feita pelo senador.

Fala de integrantes da oposição

Aécio Neves (PSDB-MG)
O senador tucano afirmou que “são afirmativas extremamente graves que dizem respeito às instituições do País, ultrapassando o debate político entre oposição e governo. Se confirmadas, merecerão por parte dos brasileiros indignação e repúdio. E teremos chegado ao fundo do poço”.

PUBLICIDADE

Em discurso em plenário do Senado, Aécio pediu a renúncia da presidente. “Será que não está no momento da presidente, em um gesto de grandeza, pensando não no seu partido mas no seu País, renunciar ao mandato de presidente da República?”, indagou. Segundo o senador, a partir desta renúncia, o País poderia passar por uma transição e resgate da economia. “Para que a partir deste gesto, nós possamos iniciar uma grande agenda de retomada da confiança, dos investimentos e dos empregos para os brasileiros”, afirmou.

Aloysio Nunes (PSDB-SP)
“O fato é que este governo precisa acabar”, afirmou o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) em pronunciamento no Plenário. Para o senador paulista, é inconcebível que a presidente Dilma Roussef, acusada por Delcídio de manobrar em favor de réus da Operação Lava Jato e de ter pleno conhecimento de operações danosas feitas pela Petrobras, possa liderar um país em crise profunda, onde já há mais de 9 milhões de desempregados, inflação disparando, e queda no Produto Interno Bruto (PIB) de 3,8%.

“Ainda que a presidente Dilma tivesse ideias claras sobre o que fazer, e não as tem, ainda que a presidente Dilma tivesse uma equipe competente, entrosada, eficaz – e não a tem-, não daria conta de conduzir esse barco por mais dois anos e oito meses porque ela agora está vulnerável na sua condição moral”.

Pauderney Avelino (DEM-AM)
O líder do Democratas, deputado Pauderney Avelino (AM), afirmou que delação do ex-líder do governo no Senado mostra que ele não agia sozinho. “Sempre se presumiu que o Delcídio não estava agindo sozinho, isso vai ficar claro quando a delação dele vier a público. E já diz, pelo que a gente já leu, que há envolvimento da presidente [Dilma] com relação à nomeação de ministros, para beneficiar eventualmente réus na Lava Jato e envolvimento em Pasadena. Ele conhece muito o que aconteceu nos bastidores, portanto, o que acreditamos é que essa delação do Delcídio está mais uma vez colocando a crise e a Lava Jato no colo da presidente Dilma e abraça Lula definitivamente”.

“O Brasil se tornou uma usina de crise, sobretudo o governo da presidente Dilma e o governo Lula. O que nós estamos vendo aqui, faz cair por terra as negativas tanto de Dilma, quanto de Lula de que nada sabiam sobre o que estava acontecendo”. E foi taxativo: “A presidente tem que pedir a renúncia”.

Ronaldo Caiado (DEM-GO)
Segundo o senador Ronaldo Caiado, “Dilma não pode ficar nem mais um minuto na Presidência. E a justiça precisa agir no caso de Lula, apontado pelo então líder do Governo no Senado, Delcídio do Amaral, como o mandante de todo o esquema”.

Ricardo Ferraço (PSDB-ES)
Segundo o senador Ricardo Ferraço, “se isso tudo for verdade e se a delação for aceita pelo Supremo Tribunal Federal, o país estará diante de uma situação política de uma gravidade sem precedentes”.

Paulo Bauer (PMDB-SC)
O senador Paulo Bauer (PMDB-SC) defendeu a renúncia da presidente Dilma Rousseff, caso se confirmem informações publicadas em matéria da revista IstoÉ.

PUBLICIDADE

Paulo Bauer afirmou ainda que Dilma não tem condições morais de governar o pais, e que sua vitória nas últimas eleições foi obtida à base de mentiras e de falácias. Para o senador, há como defender o governo Dilma, que não conta mais com a confiança da população para continuar. Ele destacou ainda que as declarações à Isto É não foram feitas por integrantes da oposição ou da imprensa, mas por um dos mais ilustres filiados do PT, que chegou a exercer o cargo de líder do governo no Senado Federal.

(Com Agência Senado e Agência Brasil)

“O fato é que este governo precisa acabar”, afirmou o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) em pronunciamento no Plenário nesta quinta-feira (3) ao se referir ao conteúdo da delação premiada atribuída hoje pela revista IstoÉ ao senador Delcídio do Amaral (PT-MS).

Para o senador paulista, é inconcebível que a presidente Dilma Roussef, acusada por Delcídio de manobrar em favor de réus da Operação Lava Jato e de ter pleno conhecimento de operações danosas feitas pela Petrobras, possa liderar um país em crise profunda, onde já há mais de 9 milhões de desempregados, inflação disparando, e queda no Produto Interno Bruto (PIB) de 3,8%.

Leia também:

Carteira InfoMoney tem 4 novas ações para março; confira

André Moraes diz o que gostaria de ter aprendido logo que começou na Bolsa