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A operação da Polícia Federal (PF) que teve como alvo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), fruto da investigação sobre o Banco Master, embaralhou a tentativa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de reconstruir a relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após a derrota na indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Nos dias que antecederam à operação, o Planalto vinha tentando reduzir a animosidade com Alcolumbre. O governo escalou os ministros José Múcio, da Defesa, e José Guimarães, das Relações Institucionais, como “bombeiros” para reabrir o diálogo com o comando da Casa e viabilizar um encontro entre o senador e Lula.
Com a deflagração do mandado de busca e apreensão contra Ciro, aliado de primeira hora do presidente da Casa, a tensão voltou a subir em Brasília.
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Segundo interlocutores próximos ao senador, Alcolumbre conversou ao longo do dia com parlamentares sobre o caso, mas evitou contato com integrantes do governo. Aliados do presidente do Senado afirmam que o timing da operação “não passou despercebido” e dificultou qualquer sinal de distensão no curto prazo.
Isso porque, para integrantes do Centrão — bloco do qual Alcolumbre faz parte — a operação, oito dias após a derrota de Messias, foi interpretada como uma resposta ao Senado.
A leitura entre parlamentares próximos é que a ação da PF atingiu diretamente um dos principais aliados de Alcolumbre.
Após a entrega da proposta de delação do banqueiro Daniel Vorcaro, o clima no entorno de Alcolumbre é de cautela. Interlocutores relatam preocupação com o alcance das apurações e a possibilidade de novos desdobramentos atingirem outros nomes do meio político.
A expectativa é que o presidente do Senado passe a adotar uma postura mais dura na condução da pauta da Casa, como forma de sinalizar força institucional após o episódio.
Entre aliados, a avaliação é que Alcolumbre deve manter distância do Planalto no curto prazo, adiando qualquer gesto de reaproximação e condicionando a retomada do diálogo a um ambiente político menos tensionado.
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Como revelou a jornalista Malu Gaspar, Alcolumbre já havia manifestado preocupação com o avanço de investigações semanas antes da votação do STF. Em conversa com Lula, o senador relatou receio de ser atingido por uma eventual delação de Vorcaro e pediu ajuda para se proteger do que chamou de “injustiças”.
Segundo a apuração, Lula respondeu que não poderia interferir na atuação da PF, do Ministério Público ou do Supremo. A conversa teria ocorrido dias antes de Alcolumbre liderar a articulação que resultou na derrota do governo no Senado, aprofundando o desgaste entre os dois lados.
Ciro Nogueira foi um dos alvos da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça. Segundo a PF, ele é apontado como possível “destinatário central” de vantagens indevidas pagas por pessoas ligadas à instituição.
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Entre os indícios reunidos estão pagamentos recorrentes, benefícios financeiros e a atuação do senador em favor de interesses do banco. A investigação também cita uma emenda apresentada por Ciro em 2024 para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), apelidada nos bastidores de “emenda Master”, cujo texto, segundo a PF, teria sido elaborado dentro da instituição financeira.