ONU: Lula critica equiparação de crime a terrorismo e sanções a Cuba

Lula condenou intervenções militares recentes, que em sua visão “causaram danos maiores do que se pretendia evitar, com graves consequências humanitárias”

Paulo Barros

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou nesta terça-feira (23) a tribuna da Assembleia Geral das Nações Unidas para criticar a forma como a comunidade internacional vem lidando com segurança e conflitos armados. “É preocupante a equiparação entre a criminalidade e o terrorismo”, disse.

Para ele, o combate ao tráfico de drogas deve passar pela cooperação internacional “para reprimir a lavagem de dinheiro e limitar o comércio de armas”. O presidente acrescentou que “usar força letal em situações que não constituem conflitos armados equivale a executar pessoas sem julgamento”.

Lula condenou intervenções militares recentes, que em sua visão “causaram danos maiores do que se pretendia evitar, com graves consequências humanitárias”. Também fez críticas diretas à política externa dos Estados Unidos ao afirmar que “é inadmissível que Cuba seja listada como o país que patrocina o terrorismo”. Ainda na América Latina, defendeu que “a Venezuela não deve estar fechada” ao diálogo e afirmou que “o Haiti tem direito a um futuro livre de violência”.

Oportunidade com segurança!

Sobre a guerra na Ucrânia, o presidente reiterou que “todos já sabemos que não haverá solução militar” e destacou o papel de iniciativas de mediação. “O recente encontro em Alasta despertou a esperança de uma saída negociada. É preciso pavimentar caminhos para uma solução realista, isso implica levar em conta as vítimas e as preocupações de segurança de todas as partes”, disse, citando também o grupo de amigos da paz criado por China e Brasil.

Lula ainda criticou a escalada do conflito em Gaza e o impacto sobre a população civil. “Nenhuma situação é mais emblemática do que o uso desproporcional e ilegal da força do que a da Palestina”, afirmou.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)