“Onda conservadora”: como a imprensa internacional viu o 1º turno das eleições

A surpresa de Lula com a vantagem obtida por Flávio Bolsonaro no primeiro turno, a onda conservadora nas urnas e o interesse de Washington na eleição foram destaque nos sites de grande jornais pelo mundo

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(Imagem: Reprodução/WSJ)
(Imagem: Reprodução/WSJ)

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A força da direita no Brasil, Flávio Bolsonaro (PL) saindo em vantagem para a disputa do 2º turno nas eleições presidencial e a surpresa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o resultado de domingo (4) foram os destaques nos sites de grande veículo de imprensa internacionais nesta-segunda-feira (5).

O The New York Times destaca que, nem o presidente Lula, nem Flávio, filho de um ex-presidente, venceram o primeiro turno, mas que Bolsonaro obteve mais votos. “A acirrada eleição presidencial brasileira foi forçada a um segundo turno no domingo, segundo autoridades eleitorais, com o desafiante de direita liderando sobre o atual esquerdista em uma disputa apertada que pode ter consequências abrangentes muito além do país”, diz o jornal.

(Imagem: Reprodução/NYT)

O The Wall Street Jornal, por sua vez, diz que Flávio Bolsonaro ultrapassou Lula, “preparando um amargo segundo turno no Brasil” e deixando o incumbente de esquerda com uma luta difícil antes do segundo turno.

O britânico The Guardian, afirma que“o desafiante de extrema-direita e filho do ex-presidente desonrado Jair Bolsonaro teve uma atuação mais forte do que o esperado, com Lula chamando o resultado de ‘inesperado’”.

(Imagem: Reprodução/The Guardian)

“Bolsonaro entrará no segundo turno como grande favorito e provavelmente será impulsionado pela migração de votos dos outros candidatos de direita da eleição, que incluíram Ronaldo Caiado, que obteve 2,1%, e Renan Santos, que obteve 2,2%”, relata o jornal.

O jornal Público, de Portugal, diz que o Brasil vai ter de esperar mais três semanas para conhecer o seu futuro político. “O atual Presidente, Lula da Silva, e o senador Flávio Bolsonaro vão disputar a segunda volta das eleições presidenciais, mas o candidato bolsonarista parte com vantagem, depois de ter sido o mais votado este domingo.”

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(Imagem: Reprodução/Publico)

Já o francês Le Monde, traz como destaque a declaração de Flávio no domingo à noite de que “Lula pagou o preço pelo descontentamento dos eleitores” e afirma que o bolsonarismo ainda está vivo no Brasil.

O correspondente do diário francês escreve que, “na esplanada de paralelepípedos em frente ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro, a reunião festiva organizada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) rapidamente se transformou em um comício melancólico”.

(Imagem: Reprodução/Le Monde)

“Vestidos de vermelho, apoiadores do presidente Lula, com rostos fechados e cerveja na mão, seguiram uma grande tela onde os resultados eram exibidos. Alguns analisavam nervosamente seus celulares para checar se os números eram reais. Outros enfrentaram os fatos: choravam ou seguravam a cabeça com as mãos.”

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O concorrente Les Echos, diz queFlávio criou uma surpresa ao sair na frente e que Lula tem três semanas para recuperar o prejuízo na segunda rodada, masque  a tarefa está se mostrando difícil. “A direita se beneficiou de uma verdadeira onda gigante no Congresso”, diz o jornal

O diário lembra que apenas dois pontos separam Flávio de Lula, mas que isso representa uma verdadeira inversão da situação, já que o presidente cessante esteve na liderança durante toda a disputa durante a campanha eleitoral. A publicação analisa que Flávio Bolsonaro se beneficiou do voto útil. Vindo dos quatro candidatos de direita que concorreram nessa eleição.

Já o alemão Der Sipegel viu um triunfo do clã Bolsonaro. “O último baluarte da esquerda na América do Sul está prestes a cair. A ultradireita consegue avançar nas eleições. Será difícil para o veterano político Lula: ele terá que ir ao segundo turno contra o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.”

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Para o espanhol El País, a onda ultraconservadora que varre a América Latina conquistou uma vitória crucial no Brasil no domingo, que parece ser definitiva daqui a três semanas. “O herdeiro político do clã de extrema-direita liderou a contagem do começo ao fim contra um dos políticos mais influentes da América Latina deste século e que governou o Brasil por 11 anos.”

O argentino La Nacíon afirma queFlavio Bolsonaro começa com vantagem sobre Lula para o segundo turno, em uma eleição realizada “sob o olhar atento de Washington e com a possibilidade de consolidar definitivamente a mudança ideológica pela qual a região está passando”.

“Se Bolsonaro vencer novamente no segundo turno, a América Latina confirmaria uma virada à direita que teve vitórias na Colômbia, Peru e Honduras no último ano, todas com o patrocínio direto ou indireto da Casa Branca de Donald Trump.”

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O jornal destacou ainda que presidente argentino Javier Milei celebrou o desempenho de seu aliado regional. “Parabéns, caro amigo Flavio Bolsonaro, por esta eleição histórica contra o comunista Lula. O continente americano é composto por cidadãos que querem viver em liberdade”, escreveu o presidente no X.

Para o também argentino Clarín, houve “uma reviravolta surpreendente e dramática nas eleições presidenciais brasileiras neste domingo”, com o desafiante conservador Flávio Bolsonaro virando todas as pesquisas e vencendo no primeiro turno o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com uma diferença de 2% dos votos, 47,05% contra 45,13%. “O Brasil quer uma mudança”, disse o vencedor. As pesquisas insistiam que Lula prevaleceria no evento deste domingo, mas marcaram empate na rodada final, sem clareza sobre o vencedor. Essa incerteza permanece.”