Olhando além de riscos de curto prazo, BTG diz que é hora de comprar Vale

"Uma oportunidade de compra surgiu", afirmam analistas; questão de interferência política deve passar para o 2º plano

SÃO PAULO – A combinação de um cenário mais positivo para o minério de ferro, com um desempenho ruim dos papéis da Vale (VALE3, VALE5) nas últimas semanas abriram uma oportunidade de compra nos ativos, segundo o BTG Pactual.

“É hora de comprar Vale”, afirmaram os analistas Edmo Chagas, Humberto Meireles e Antonio Heluany. Segundo eles, os atuais níveis dos ADRs (American Depositary Receipts) da mineradora – em cerca de US$ 27 para os representativos das ações preferenciais, e US$ 30 para os referentes às ações ON – são atraentes. O preço-alvo para os ativos é de US$ 30 e US$ 38, respectivamente. 

“Os investidores devem olhar além dos problemas de curto prazo e se focar nos fundamentos: o valuation é atraente, o fluxo de caixa deve seguir alto, apoiado em fortes preços do minério de ferro, e os riscos parecem estar precificados”, justificam os analistas, que reiteraram sua recomendação de compra para os papéis.

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Commodities e China
Os analistas apostam em um bom desempenho da China, além de um cenário positivo para as commodities. No caso do minério de ferro – principal produto da mineradora – o trio afirma que “está ficando claro que a resposta da oferta será mais lenta do que o esperado”, trazendo um excesso de produção apenas em 2015. Com isso, os preços da commodity devem seguir elevados em 2013 e 2014.

A combinação dessas perspectivas é a base para o banco reiterar sua recomendação de compra aos ADRs. “Estávamos preocupados com os preços do minério, e estamos ficando mais otimistas com o cenário de médio prazo. E também nos preocupávamos sobre o impacto da desaceleração global nas perspectivas de crescimento da empresa. Mas com o papel 18% abaixo de seu pico, e um desempenho 19% abaixo de seus pares, a relação risco/recompensa parece atraente”.

As ações da Vale negociadas no Ibovespa acumulavam em 2011, até o último fechamento, baixa de 11,80% (no caso dos papéis ON) e 10,33% (no caso dos preferenciais). 

Política vai para 2º plano
Já uma das questões que tem pesado sobre o papel – a interferência política na mineradora – deve passar para o segundo plano. “A troca de CEO devido a pressão do Governo é negativa para governança, mas isso parece estar perdendo importância, já que não deve haver grandes mudanças no curto prazo”, afirma o BTG.

O banco não espera alterações na política de investimentos ou uso do fluxo de caixa – e vê a possibilidade de dividendos maiores e redução do capex até o final do ano.