Obama sinaliza que combate à crise poderá sacrificar busca por equilíbrio fiscal

Em entrevista à rede de televisão CBS, o próximo presidente dos EUA defendeu ajuda à indústria automobilística

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SÃO PAULO – Barack Obama, o presidente eleito dos EUA, concedeu entrevista à rede de televisão CBS no último domingo (16) e reafirmou seu compromisso em evitar um recessão profunda, mesmo que às custas do déficit fiscal nos próximos anos.

O dilema entre o aumento de investimentos e a contenção do buraco nas contas públicas norte-americanas parece não existir para o próximo presidente dos Estados Unidos no curto prazo. Uma catástrofe econômica deve ser enfrentada “custe o que custar”, afirmou Obama, antes de ressaltar que não deve haver preocupação em reduzir o déficit fiscal até 2010.

Um dos destaques da entrevista foi a posição de Obama a respeito da crise da indústria automotiva no país. “Seu completo colapso seria um desastre neste tipo de ambiente; não apenas para famílias individualmente, mas as repercussões sobre toda a economia seriam terríveis”, ressaltou.

Choque e esforço

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Defendendo uma ajuda governamental à indústria automobilística, sob a forma de um empréstimo-ponte, com a condição de que a direção, os trabalhadores, fornecedores e credores apresentem plano para tornar a indústria sustentável.

Sobre a atuação do atual secretário do Tesouro, Henry Paulson, Obama afirmou que “Hank deve ser o primeiro a reconhecer que provavelmente nem tudo o que foi feito funcionou da maneira como ele esperava”, reconhecendo que sua atuação foi “incansável,(…) sob circunstâncias muito difíceis”.

Outros aspectos

O próximo chefe do governo norte-americano reafirmou sua intenção em fechar a prisão que o país mantém na base militar de Guantánamo, em Cuba, além de banir práticas de tortura em interrogatórios. Obama também manteve sua posição de traçar plano para retirar tropas do Iraque e reforçar a atuação dos EUA no Afeganistão.

Por fim, a redução da dependência energética dos Estados Unidos foi abordada, mas o presidente-eleito ressaltou que a queda recente dos preços de petróleo poderá tornar mais difícil politicamente produzir medidas de redução da dependência do exterior no quesito.