Obama: analistas avaliam impactos para o Brasil, para a crise e para os mercados

Diante de grandes desafios, crescem as expectativas quanto às possíveis medidas que o democrata irá anunciar

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SÃO PAULO – Depois da histórica eleição de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos, crescem as expectativas quanto às possíveis medidas que o democrata irá anunciar para enfrentar os grandes desafios que tem à frente da maior economia do mundo.

Com relação à recuperação da fragilizada economia, do emprego e da renda da população do país, o novo presidente pretende conceder uma série de cortes dos impostos, além de subsídios, lembra a corretora Ativa em sua análise semanal, cujo foco é analisar as propostas de Obama e seus efeitos para o Brasil e para a resolução da crise.

Segundo a corretora, na questão do cenário externo, Obama acredita que o comércio exterior possa ser de grande ajuda para a saúde financeira dos Estados Unidos. Para o Brasil, em específico, ele traz um discurso menos favorável, na medida em que propõe subsídio às fontes de energias renováveis norte-americanas.

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No entanto, os analistas ressaltam que os democratas têm um apreço maior por uma política fiscal mais rígida e, assim, se esforçam para manter o equilíbrio fiscal da economia, o que pode beneficiar a resolução dos desequilíbrios globais no médio prazo.
“Com isso, talvez os efeitos sobre a economia global possam beneficiar as perdas geradas pela manutenção das políticas de proteção agrícola”, avaliam.

Como resolver a crise?

Mas o que o mundo todo mais quer saber é como o novo presidente irá minimizar os efeitos da crise. Para a Ativa, o foco de prioridade de Obama para resolver esta questão deve ficar em torno de um amplo processo de desalavancagem, problema que assola o setor financeiro e as famílias norte-americanas, que estavam mais alavancadas do que sua renda permitiria em momentos normais.

Uma solução passa por uma medida que consiga alterar a renda disponível dos consumidores, aponta a corretora. “Desta forma, além dos gastos com infra-estrutura, os democratas devem focar em formas de ajudar o cidadão norte-americano diretamente”, diz.

Como comentando anteriormente, os analistas acreditam que deve haver uma mudança no regime de impostos, que deve onerar os mais ricos e desonerar a classe média. Além disso, eles lembram que vem sendo especulada a criação de uma corporação como a da crise de 1929, que refinanciava as hipotecas das famílias para que a prestação fosse reduzida e, assim, a renda disponível aumentada.

Finalmente, a Ativa destaca que a confiança que o presidente eleito tem inspirado nos cidadãos norte-americanos pode ter efeitos positivos, como a possibilidade de um diálogo mais concreto entre os líderes das principais economias do mundo, ponto importante na busca pela resolução dos problemas gerados pela crise.

O que muda para os investidores

Dando um enfoque um pouco diferente à avaliação dos impactos da vitória de Obama, a gestora de fundos BlackRock buscou prever os possíveis efeitos do fato para os investidores. E de um modo geral, a instituição acredita que eles serão menores que os esperados pelo mercado.

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Do ponto de vista político, a gestora afirma que é importante lembrar que as promessas feitas por Obama durante sua campanha terão eventualmente que ser aprovadas e financiadas pelo Congresso dos Estados Unidos, de modo que o que deve mesmo mexer com os mercados são os resultados das eleições para a Casa dos Representantes, avalia.

Neste sentido, a BlackRock lembra que, historicamente, os mercados tendem a cair quando a maioria do Congresso é do mesmo partido que o presidente, e vice-versa. No entanto, na opinião da instituição, qualquer mudança política não deve se sobrepor aos fundamentos das empresas no longo prazo.

De imediato, a instituição destaca de forma favorável a eliminação da tradicional cautela dos investidores que antecede uma eleição. “Pelo menos as incertezas em torno do resultado da eleição foram removidas da lista de prováveis impactos negativos para os mercados”, diz a BlackRock.