Entrevista

“O time de Temer e Cunha vendeu a alma para vencer na Câmara”, diz ex-ministro

Ex-ministro de Dilma diz que equipe de Temer não tem mais o que oferecer às bancadas no Senado

SÃO PAULO – A equipe do vice-presidente Michel Temer sempre teve mais força na Câmara dos Deputados e pode não ter o mesmo sucesso no avanço do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff no Senado. A despeito dos placares dos principais jornais apontarem para uma maioria de senadores favoráveis ao afastamento da mandatária, o ex-ministro e deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) acredita que o governo tem chances de vencer a disputa.

“O time do Michel Temer e de Eduardo Cunha vendeu a alma para conseguir uma vitória na Câmara dos Deputados. Eles não têm nem mais o que oferecer para a bancada do Senado. Essas contradições vão aparecer”, disse o parlamentar aliado em entrevista ao InfoMoney.

O parlamentar lembra nomes do núcleo político de Temer para mostrar sua maior força na casa baixa do que na alta, onde o processo ainda precisa ser apreciado. Temer foi presidente da Câmara por três vezes, Moreira Franco, Eliseu Padilha e Gedel Vieira Lima já atuaram como deputados também. Henrique Eduardo Alves também foi deputado e antecedeu Eduardo Cunha na presidência da casa.

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Orlando Silva acredita que um debate mais qualificado no Senado e a condução mais equilibrada de Renan Calheiros (PMDB-AL) possam ajudar o governo. Na avaliação do parlamentar, que foi ministro do Esporte em parte das gestões de Lula e Dilma, os membros dessa casa seriam mais serenos e experientes para examinar o mérito da questão — o que, na sua percepção, ficou de fora na Câmara. Mesmo com um desafio proporcionalmente mais difícil no Senado, com necessidade de apoio de mais da metade da casa (em vez do 1/3 que era preciso na outra casa) para barra o impeachment, o deputado mantém confiança.

O ex-ministro também aproveitou a conversa para tecer elogios ao presidente do Senado e manifestar mais esperança com o processo a ser considerado na Câmara Alta. “A diferença entre ter um processo coordenado por Eduardo Cunha e ter um processo coordenado por Renan Calheiros é brutal. Tenho muita confiança na liderança do senador Renan Calheiros, que é um homem sereno e tem um profundo compromisso com o Brasil”, concluiu. O peemedebista é figura importante para os rumos do processo nos próximos dias.

Moreira Franco, Eliseu Padilha, Gedel Vieira Lima

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