Análise

O que quer cada um dos partidos no almoço do “centrão”?

Líderes do "blocão" têm encontro marcado para o início desta tarde. Embora nenhum anúncio seja esperado, reunião pode dar novas indicações dos caminhos de cada sigla

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Brasília – Plenário da Câmara dos Deputados, durante pronunciamento do Presidente Temer. Foto José Cruz/Agência Brasil
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SÃO PAULO – O bloco de partidos que negocia em conjunto seu apoio na disputa presidencial, formado por DEM, PP, PRB e Solidariedade, tem reunião marcada para o início da tarde desta quarta-feira, para tentar chegar mais perto de uma decisão.

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Embora nenhum anúncio seja esperado por ora, o encontro poderá dar novas indicações dos caminhos que cada sigla seguirá na corrida eleitoral. Se por um lado há incentivos para a aglutinação das forças, por outro, os interesses difusos podem atrapalhar em um arranjo.

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Além da discussão que já se tornou rotineira entre apoiar Geraldo Alckmin ou Ciro Gomes, o encontro do chamado “blocão” deverá contar com a participação da cúpula do PR. O partido tem caminhado de modo alheio ao grupo e é um dos poucos que flerta com a candidatura de Jair Bolsonaro.

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Ao adiar o anúncio de uma posição definitiva, o grupo usa a possibilidade de apoiar vários nomes para se manter em evidência e aumentar as exigências para o acerto. Estica-se a corda para ver o que acontece.

Neste sentido, convém relembrar alguns dos interesses em jogo sob a ótica de cada partido:

DEM – O partido tem divisões internas, mas o apoio a Geraldo Alckmin é uma das opções à mesa – talvez a mais coerente delas. Rodrigo Maia e ACM Neto têm dúvidas sobre a viabilidade da candidatura do tucano em eventual segundo turno e buscam alternativa – Ciro Gomes, a principal delas. A possibilidade de que o pedetista sofra com o crescimento do candidato do PT pode levar o grupo a fazer uma aposta mais conservadora. Mendonça Filho, Rodrigo Garcia e outros das bancadas no Congresso avaliam mais viável declarar apoio ao ex-governador de São Paulo. O DEM tem 43 deputados federais e 5 senadores em exercício.

PP – Aliado de Rodrigo Maia na condução das articulações, também tem apresentado dúvidas sobre a viabilidade de Alckmin – apesar de também não saber se com Ciro Gomes seria diferente. O partido também tem divisões internas, mas o presidente Ciro Nogueira tem facilidade para fazer prevalecer sua posição. A ala do partido do Nordeste, por questões de viabilidade eleitoral regional, tem resistência maior a apoiar o ex-governador tucano. O PP tem 49 deputados federais e 6 senadores em exercício.

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PRB – Dentro do grupo, o partido é o que deixou mais clara sua indisposição em apoiar Ciro Gomes e, no passado, já sinalizou que pode abandonar o bloco se esse for o caminho. O partido tem sido a maior voz em defesa de Geraldo Alckmin. Alvaro Dias foi cogitado, mas a constatação de que o restante do grupo não tratava a opção como viável levou ao abandono da ideia. Antes da reunião, a sigla ainda vai ser alvo da parte do grupo que defende apoio ao pedetista para ver se mudam de posição. O PRB tem 21 deputados federais e 2 senadores em exercício.

SD – Paulinho da Força, presidente do partido, é entusiasta da aliança com Ciro Gomes e tem sido voz nesse sentido dentro do grupo. Não teria dificuldade de aprovar esse caminho no partido. Ainda assim, mantém boas relações com Geraldo Alckmin e já deixou claro que essa pode ser uma opção se outros planos falharem. O SD tem 11 deputados federais em exercício.

PR – É o partido que mais opções deixou em aberto, mas ainda resiste a apoiar Ciro Gomes. Tem em Josué Alencar um vice cobiçado pelo grupo. Apesar de não negociar junto com o grupo, deve participar do almoço nesta quarta. Parte da bancada continua favorável a Jair Bolsonaro, mas a cúpula do partido – que tem o poder de decisão – ainda faz contas e também considera apoiar o PT ou Geraldo Alckmin. O PR tem 40 deputados federais e 4 senadores em exercício.

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