"Plano B"

O que o novo outsider a ser testado por FHC diz sobre as eleições?

Enquanto candidatura de Geraldo Alckmin não empolga, opções não param de surgir no campo da centro-direita pró-reformas

SÃO PAULO – Desde que o apresentador Luciano Huck reafirmou sua indisposição a disputar as próximas eleições, o nome do empresário Flávio Rocha, presidente da varejista Riachuelo, passou a ser alvo mais intenso de especulações sobre uma possível candidatura. Apesar das negativas a disputar a presidência da República, o jornal Folha de S.Paulo informa que o empresário terá seu nome incluído na próxima pesquisa de intenção de votos do instituto Ibope. O mesmo veículo noticiou que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não desistiu da busca por um outsider para o pleito de outubro. A princípio, o presidente da Riachuelo é um dos possíveis nomes a serem testados.

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Em janeiro, Flávio Rocha, que também é membro do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo, lançou o movimento “Brasil 200”, com uma agenda em defesa de valores liberais para a economia brasileira nos próximos quatro anos. O movimento faz referência aos 200 anos de independência do país, que será comemorado em 2022, ano em que encerra o mandato do futuro presidente eleito. Para ele, é necessário que o país aproveite as atuais eleições para enfrentar o debate da redução do tamanho do Estado, em prol de maior desenvolvimento ao país e mais oportunidades aos cidadãos.

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Um dia após o lançamento do movimento, na maior feira do varejo do mundo, em Nova York, o empresário esteve no estúdio do InfoMoney para explicar os objetivos da iniciativa e apresentar algumas de suas avaliações acerca da conjuntura política brasileira. Para Rocha, a aproximação das eleições mais imprevisíveis dos últimos tempos traz ao Brasil a possibilidade de dar tração a um novo ciclo político em curso, em que os grandes conflitos da sociedade não se dão mais sob a velha roupagem de ricos contra pobres, empregados contra empregadores.

Na avaliação do empresário do setor varejista, os ventos hoje são mais favoráveis à forma de pensamento que defende. “Acredito que o momento é muito propício para uma guinada liberal em termos econômicos”, observou durante a conversa. “No Brasil, houve uma deformação. O peso da carruagem estatal já é maior que sua força de tração. O carrapato ficou maior que o boi, e, quando isso acontece, os dois morrem”, afirmou. Este seria o pano de fundo para o que o presidente da Riachuelo entende como o verdadeiro conflito central da sociedade brasileira atual, entre os que produzem (trabalhadores, empresários e investidores) e quem, em suas palavras, se aproveita às custas da máquina estatal.

“Talvez com 60 ou 70 anos de atraso, a gente vai decidir, nessa eleição, que tipo de país nós queremos: um país cujo protagonista é o Estado ou um país cujo protagonista é o indivíduo e a família”, disse Rocha. “Gostaria de ver o Brasil de volta aos trilhos da racionalidade, calcado no binômio que é a única fórmula de prosperidade e desenvolvimento: democracia e livre mercado. Chega de experiências exóticas, é o momento de darmos um choque de capitalismo no Brasil. O Brasil é um carro de alta performance com o freio de mão puxado. Vamos projetar um Estado compatível com a demanda da sociedade. O Estado não pode mais servir a essa burocracia que se apoderou dele, ele existe para servir na ponta, o usuário. A reforma do Estado é imprescindível, mas isso passa por uma autorização expressa nas urnas, por um eleitor que amadureceu e está pronto para homologar essa virada de página na nossa história”.

O empresário acredita que, nos últimos anos, o empresariado furtou-se de parte de seu papel social e político. “Temos conversado muito isso entre nossos colegas empresários, e acho que, simultaneamente, caiu a ficha na cabeça de muita gente da parcela de culpa que temos neste momento difícil que estamos vivendo. O empresário tem um papel indelegável de ser o grande guardião da competitividade de um país. Ele tem que fazer a interlocução entre economia e política”, reconheceu durante a entrevista. Nós ficamos restritos na zona de conforto das quatro paredes das nossas empresas — até as entidades empresariais acho que passaram a cuidar muito mais da árvore, e não da floresta –, e o ambiente de negócios, que é o ecossistema econômico, degradou-se de forma absurda, praticamente tirando o Brasil do jogo competitivo”.

A ideia agora é reverter esse quadro, com uma posição mais engajada na política, com a disseminação de valores liberais em favor do livre mercado. “Estamos às vésperas de uma eleição que vai eleger presidente, governadores, senadores e deputados que vão construir o país, ou pelo menos os últimos quatro anos do Brasil dos 200 anos da independência. Então, 2018 é uma eleição absolutamente fundamental, em que temos de não repetir os erros do passado e fazer um país calcado na única fórmula que deu certo no mundo todo e que foi esquecida: democracia e livre mercado. É com esse intuito que resolvemos sair da moita e assumir um maior protagonismo. Acho que é hora de ficar para trás o empresário-moita e vir à tona o empresário-cidadão, participando e contribuindo nesse processo”, explicou.

Quando questionado sobre a possibilidade de retornar à linha de frente da política candidatando-se a um cargo eletivo, o empresário desconversou: “Eu já tive uma experiência em que aprendi muito. Fui o caçula da Assembleia Nacional Constituinte, foi uma vivência enorme, fiz até uma campanha presidencial pelo antigo PL, também foi uma experiência fantástica, mas não me vejo no xadrez político pela falta de um pequeno detalhe: 60 milhões de votos (risos), que são essenciais para eleger um candidato. Então, tenho consciência das minhas limitações, me sinto quite com minha responsabilidade política ao fazer o que estou fazendo aqui: instigando meus pares, conscientizando do nosso papel política, instigando empresários-moita a se tornarem, como devem ser, empresários-cidadãos”.

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Um mês depois, mesmo com as notícias recentes, o empresário nega candidatura. De todo modo, até 7 de abril, todos os nomes ventilados na imprensa estão aptos a participar da disputa, inclusive outsiders. Passada a data, apenas seguirão no páreo aqueles filiados a algum partido político.

Relembre a entrevista concedida por Flávio Rocha ao InfoMoney: