O que muda na vida dos brasileiros no Japão com a troca de primeiro ministro?

Apesar de não haver expectativa de alterações radicais no país, Abe trouxe preocupações para alguns dekasseguis

Aprenda a investir na bolsa

SÃO PAULO – O Japão acabou de passar por uma importante mudança política: a troca de primeiro ministro. A escolha do novo líder, Shinzo Abe, era esperada e não deverá causar fortes mudanças na economia do país. E na vida dos brasileiros que moram lá, o que muda?

No aspecto econômico, não há muito o que temer. Junichiro Koizumi deixou o cargo em setembro após ter tirado o Japão de uma recessão de uma década, o que se observa na série de fortes indicadores divulgados recentemente.

Abe terá como desafio nesse sentido levar adiante o progresso de seu antecessor, de quem foi secretário-chefe de gabinete, e ajudar a reduzir a dívida pública do país, que é a maior dos países industrializados.

Maior mão-de-obra chinesa?

Aprenda a investir na bolsa

No entanto, existem pessoas preocupadas quanto à fama de nacionalista de Abe e a forma como isso irá influenciar na sua política em relação aos imigrantes. Além disso, a intenção declarada de estreitar laços com países vizinhos, como a China, levanta preocupações quanto à maior concorrência no mercado de trabalho.

Isso porque a mão-de-obra brasileira é mais cara que a chinesa e uma entrada significativa desse povo no Japão poderia fazer os salários caírem e as oportunidades de emprego rarearem.

Dekasseguis mais capacitados

Para Maria Helena Uyeda, presidente da Associação Brasileira de Dekasseguis, a mão-de-obra brasileira sempre foi considerada mais qualificada que a chinesa, o que faz com que essa perspectiva não seja tão assustadora.

No entanto, ela ressalta que, para garantir seu espaço, “os nossos trabalhadores terão que se capacitar um pouco mais”. Para Uyeda, é uma questão de iniciativa do próprio dekassegui.

Aprender um pouco da língua, cultura e costumes locais é uma forma de diminuir o atrito com a comunidade japonesa e garantir a abertura. A presidente da ABD ressalta que esses conhecimentos serão muito úteis tanto na comunicação cotidiana, como a hora de conversar com colegas ou chefes na fábrica onde trabalha, e quanto aos costumes, como saber das peculiaridades quanto ao sistema de coleta de lixo japonês.