O que deve estar sob o foco do mercado no segundo mandato de Lula?

Noticiário sobre governabilidade e os novos rumos da política econômica devem ocupar os investidores até o final do ano

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SÃO PAULO – Como se esperava, os resultados do segundo turno da eleição presidencial deram, por ampla vantagem, mais quatro anos de governo ao presidente Lula.

Diante disso, é importante destacar alguns pontos que podem afetar o desempenho do mercado nas próximas semanas e também nos próximos meses.

Resultado das urnas

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No curtíssimo prazo, o mercado deve estar atento às primeiras reações da oposição ao resultado das urnas.

O clima acirrado que ganhou força no início do segundo turno dissipou-se na reta final da campanha, embora setores do PSDB e do PFL ainda aventem uma possível tentativa de impugnação do pleito.

No dia da eleição, porém, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso descartou a hipótese de terceiro turno e disse que, no Brasil, quem vence, governa.

Governabilidade

A configuração das bancadas do Congresso e das eleições estaduais aponta que Lula não deve encontrar grandes dificuldades para obter maioria simples na Câmara. No Senado, a tarefa parece um pouco mais árdua, mas também deve ser vencida.

Para reformas constitucionais, porém, o presidente reeleito deve enfrentar alguns problemas. Embora o resultado das eleições não tenha mostrado a divisão do País, como poderia ser inferido a partir dos dados do primeiro turno, a oposição deve ser mais crítica no novo mandato.

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As atenções do mercado nesse ponto devem voltar-se para declarações dos líderes da oposição, que dêem o tom da disputa entre 2007 e 2010. A configuração da aliança com o PMDB também deve ser observada.

Novo governo começa agora

No que diz respeito à formação dos ministérios, a expectativa é de que Lula comece a fazer seus ajustes já nas próximas semanas.

Cientistas políticos afirmam que o presidente deseja começar 2007 com o “pé no acelerador” e não faria sentido esperar até 1º de janeiro para escolher os novos ministros.

Controle fiscal

Uma declaração que deve ter surpreendido alguns setores do mercado foi a do ministro das Relações Institucionais Tarso Genro, afirmando que o segundo mandato de Lula marcaria o fim da era Palocci, sugerindo uma política mais desenvolvimentista.

O ex-ministro da Fazenda, porém, apressou-se em dizer que nunca houve uma “era Palocci”, e sim uma “Era Lula”. O presidente reeleito também tratou de confirmar que a responsabilidade fiscal será mantida, durante suas primeiras palavras.

Juros e inflação

Embora a evolução da inflação dependa intimamente do tópico acima, parece claro que as taxas de juros devem manter trajetória descendente no segundo mandato de Lula.

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Na reta final da campanha, o presidente afirmou, inclusive, que a Selic deve recuar abaixo de 10% ao ano no novo governo.

Um fator que deve contribuir é a obtenção do investment grade, que atesta uma maior confiança dos investidores internacionais e é esperado para os próximos anos.

Privatizações

Embora o candidato Alckmin tenha negado veementemente, a vitória de Lula quase que elimina a possibilidade de privatizações no próximo governo.

Parte do mercado tinha grande esperança em uma segunda onda de desestatização, com a venda de estatais como a Eletrobrás.