Resposta

“O PSDB pode fazer a representação que quiser”, diz Dilma sobre farsa na CPI

Em evento realizado nesta manhã, a presidente ainda afirmou que as questões sobre a fraude devem ser respondidas pelo Congresso e não por ela

SÃO PAULO – Em evento realizado em São Paulo nesta segunda-feira (4), a presidente Dilma Rousseff deu suas primeiras declarações sobre o caso de Fraude na CPI da Petrobras apresentado pela Revista Veja no fim de semana. Segundo ela, esta “é uma questão que deve ser respondida pelo Congresso”.

A candidata à reeleição também falou sobre a declaração de Aécio Neves, que disse que o PSDB irá anunciar todas as medidas judiciais cabíveis contra o PT e eventualmente contra a presidente Dilma Rousseff em razão da fraude. “O PSDB pode fazer a representação que quiser em Brasília”, afirmou Dilma durante o evento realizado em Guarulhos. 

Ontem, Aécio já havia se pronunciado sobre o caso após a publicação da revista. “Estou cauteloso, me surpreendi com a densidade, com envolvimento de senadores, é algo grave. Conversei com lideranças do partido para desenhar quais medidas judiciais serão tomadas”, afirmou, dizendo que estuda a possibilidade de outras representações na comissão de ética da presidência da República e também junto à Petrobras.

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“Eu reservo o direito da dúvida, mas é um caso de extrema gravidade, tem que explicar o que aconteceu, mandando perguntas com respostas definidas, uma grande encenação, um enorme desrespeito ao Congresso e tem que dar explicações. Punições têm que ocorrer”.

O caso
Um vídeo a que a Revista Veja teve acesso revela que houve uma farsa na CPI da Petrobras. Segundo a denúncia exclusiva, a CPI foi criada com o objetivo de não pegar os corruptos. Ainda assim, o governo e a liderança do PT decidiram não correr riscos e montaram uma fraude que consistia em passar antes aos investigados as perguntas que lhes seriam feitas pelos senadores.

Com vinte minutos de duração, segundo a revista, o vídeo mostra uma reunião entre o chefe do escritório da Petrobras em Brasília, José Eduardo Sobral Barrocas, o advogado da empresa Bruno Ferreira e um terceiro personagem ainda desconhecido. A decupagem do vídeo, segundo a publicação, mostra que o encontro foi registrado por alguém que participava da reunião ou estava na sala enquanto ela ocorria.

A revista descobriu que a gravação foi feita com uma caneta dotada de uma microcâmera. Segundo a revista, a fraude consistia em obter dos parlamentares da CPI da Petrobras as perguntas que eles fariam aos investigados e, de posse delas, treiná-los para responder a elas.

Depois que o ex-presidente Lula mandou o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli parar de confrontar a presidente Dilma Rousseff, Cerveró se tornou o principal motivo de apreensão do governo porque ameaçara desmentir a presidente diante dos parlamentares.

Essa ameaça jamais se consumou. No vídeo, uma das falas de Barrocas desfaz o mistério: ele insiste em saber se estava tudo certo para que chegassem às mãos de Cerveró as perguntas que lhe seriam feitas na CPI.

Outros personagens citados como peças-chave da transação são Paulo Argenta, assessor especial da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República; Marco Rogério de Souza, assessor da liderança do governo no Senado; e Carlos Hetzel, assessor da liderança do PT.

De acordo com a denúncia, a eles coube fazer muitas das perguntas que alimentariam a cadeia de ilegalidades entre investigados e investigadores. Barrocas conta também que o senador Delcídio Amaral era peça-chave da operação para manter Cerveró sob o cabresto governista, porque o senador foi padrinho político do ex-diretor da Petrobras.