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De olho em 2018

O possível confronto na eleição que é o grande pesadelo do mercado brasileiro, segundo revista americana

Americas Quaterly aponta para três cenários para as eleições de 2018; um segundo turno entre Lula e Bolsonaro seria o pesadelo, afirma a publicação

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SÃO PAULO – Ao falar sobre o Brasil em julho, a revista americana Americas Quaterly havia apontado o crescimento nas pesquisas para as eleições de 2018 do deputado federal Jair Bolsonaro, ressaltando que, com o Brasil “cansado”, ele era o único político que estava sendo “aplaudido nos aeroportos”. Em matéria do final da última semana, o cenário eleitoral voltou a ser destacado pela publicação, com foco em Bolsonaro e também no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ambos despontando nos últimos levantamentos.

Em coluna para a revista, Bret Rosen, analista financeiro com experiência de mais de 20 anos, apontou que esta disputa, se confirmada, seria o cenário de pesadelo para o mercado nacional. 

De acordo com a análise de Rosen, que cita a pesquisa CNT/MDA divulgada na semana passada, apesar de estarem em lados opostos da política, ambos os candidatos são vistos como um risco parecido, pois ambos reduziriam as chances de reformas estruturais que economistas defendem para o Brasil, o que seria ruim para o mercado. Na mesma linha, o Financial Times ressaltou na semana passada que Bolsonaro era o mais provável sucessor de Michel Temer e, com isso, o ambiente para as reformas seria sombrio e significaria o fim das esperanças do mercado. O analista também ressaltou que, na manhã de terça-feira, logo após a divulgação da pesquisa CNT/MDA, a bolsa registrou um movimento de aversão ao risco, depois recuperando-se ao longo do pregão.

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“A preocupação com uma mudança populista – seja com Lula ou com outro candidato – está passando pela mente de muitos investidores, e o Brasil possui muitos dos pré-requisitos para uma mudança política radical”, avalia o colunista para a Americas Quaterly.  De acordo com o analista, tanto Lula quanto Bolsonaro gerariam ”reações semelhantes do mercado”, apesar do deputado não ter apresentado uma plataforma econômica.

Rosen aponta três possibilidades mais fortes para a eleição, com possível vitória da esquerda (com Lula), da direita populista (com Bolsonaro) e uma via de centristas moderados (o nome ainda não está definido, mas entre as opções há o governador paulista e o prefeito de São Paulo –Geraldo Alckmin e João Doria). A opção centrista seria a preferida de investidores.

Confira os três cenários apontados pelo analista:

  1. Cenário I: esquerda sai vencedora

    A esquerda é encarnada por Lula, ou alguém parecido com ele caso o petista não seja capaz de concorrer caso sua condenação na Operação Lava Jato seja confirmada em segunda instância.

  2. Enquanto Lula está envolvido em uma série de escândalos relacionadas a Lava Jato, ele ainda garante um forte apoio dos segmentos economicamente desfavorecidos da sociedade, que o vê favoravelmente graças a algumas das conquistas de seus oito anos na presidência, como a Bolsa Família. “No entanto, Lula provavelmente não conseguirá conquistar os 50% necessários para ganhar no primeiro turno e sua taxa de rejeição é tão alta que a maioria dos observadores sente que ele provavelmente não ganhará no segundo turno”, aponta.

Mesmo com essas ponderações, Rosen ressalta que as chances de Lula continuam sendo uma preocupação para os mercados, embora ele tenha presidido durante um período de desempenho econômico relativamente forte durante o seu governo entre 2003 e 2010.

“A versão ‘paz e amor’ de Lula na presidência é menos provável que aconteça à medida que a sua campanha ganhe mais tração. Com o impeachment de Dilma Rousseff e seus problemas legais subsequentes, os discursos de Lula foram mais incendiários e sua plataforma provavelmente girará em torno de princípios tradicionais de esquerda, incluindo a oposição da reforma da previdência e de outras políticas ortodoxas. O mercado claramente teme um retorno de Lula ao poder”, avalia Rosen. Caso os problemas legais impeçam Lula de concorrer, a esquerda poderia se unir em torno de nomes como o do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad ou Ciro Gomes.

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Com as perspectivas de reformas estruturais diminuindo nesse cenário, Rosen prevê que as ações caiam significativamente, o real teste novamente os R$ 4 e os juros aumentem. 

Cenário II: Centrista moderado

No segundo cenário, estão os políticos mais moderados, liderados  pelo governador de São Paulo Geraldo Alckmin e o prefeito de São Paulo, João Doria, ambos do PSDB. Ambos são vistos como nomes mais favoráveis ao mercado que avançariam na agenda atual de Temer.

O analista aponta que, atualmente, há duas lutas de poder dentro do PSDB: 1) romper ou não oficialmente com a administração Temer devido ao escopo dos escândalos e 2) quem o partido deseja que avance como cabeça de chapa no próximo ano, ou Alckmin ou Doria. Alckmin foi o adversário de Lula em 2006, enquanto Doria é uma nova cara da política no Brasil, e suas recentes viagens pelo Nordeste sugerem que ele está se posicionando para uma corrida para o Planalto. 

Além destes, existem outros nomes fora do PSDB que também podem surgir como concorrentes neste cenário. O nome do Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, é frequentemente mencionado como um possível candidato. Rosen também cita Marina Silva, da Rede Sustentabilidade.

O que a vitória desse gripo significaria para os mercados? A expectativa seria de um cenário mais tranquilo para os mercados em relação ao cenário um. Entretanto, segundo Rosen, é preciso saber se algum dos nomes será capaz de unir os partidos de centro, o que é um risco caso Alckmin e Doria rompam. ”Se os moderados de centro se consolidarem em torno de um nome, com uma grande coalizão de partidos por trás, crescerá o otimismo de que o Brasil pode andar para a frente com um presidente que defende mais reformas estruturais para criar as condições para um retorno moderado crescimento econômico nos próximos quatro anos”, aponta.

Cenário III: populista de direita

No terceiro cenário, está Jair Bolsonaro, classificado por Rosen como populista de extrema direita. Ele está despontando nas pesquisas ao lado de Lula em várias das simulações. “Semelhante a Lula, no entanto, sua taxa de rejeição é extremamente alta, o que limita suas chances em um segundo turno contra um nome mais moderado”, aponta ele.

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Segundo o analista financeiro, Bolsonaro tem opiniões muito extremas sobre segurança pública, direitos humanos e outras áreas e opiniões não tão claras sobre políticas econômicas. “Os fãs do retorno de um governo ao estilo militar no Brasil são atraídos por Bolsonaro, que funcionaria como uma espécie de candidato da lei e ordem. Na verdade, com o aumento da violência nas ruas no País, há um segmento da população que deseja uma figura mais autoritária comandando o Brasil – personificada em Bolsonaro. Dadas suas tendências extremistas e hábitos de fazer comentários escandalosos sobre uma série de questões sociais, os mercados também temem seu crescimento nas pesquisas”, destaca Rosen. 

Os cenários um e três poderiam gerar reações muito similares no mercado, embora isso ainda dependa muito do tipo de plataforma econômica que Bolsonaro anunciará nos próximos meses. “A incerteza que resultaria na eleição de um populista de direita seria significativa uma vez que, no regime democrático, o Brasil nunca foi governado por um líder com tal plataforma, e as perspectivas para a aprovação de reformas provavelmente seriam baixas”.

Caminhando para a conclusão, Rosen aponta que, devido à fragmentação do sistema político, a gama de resultados para 2018 é vasta. “A expectativa é de que alguém do centro moderado emergirá, com o apoio das elites empresariais e da mídia – e, de fato, esse é o resultado que os mercados esperam.

Para Rosen, o pior ambiente para o mercado seria o segundo turno entre alguém do cenário I com alguém do cenário III. “Sob este cenário, é esperada uma depreciação de 20% do real dos níveis atuais e uma queda significativa das ações. Por outro lado, se alguém do cenário II se consolidar e com uma profunda coalizão do mercado, o otimismo continuará uma vez que o Brasil pode avançar com um presidente que apoie novas reformas estruturais, criando as condições para um retorno ao crescimento econômico moderado nos próximos quatro anos.