Eleições & Economia

O peso do seu voto: saiba a quantas ficam PIB, Selic e câmbio nos dois cenários eleitorais

Bank of Tokyo projeta que Selic será única arma para caso de reeleição de Dilma e, no caso de eleição da oposição, cenário econômico terá apertos monetários mais rígidos

SÃO PAULO – Todos sabiam que 2014 seria bastante peculiar: a Copa do Mundo de futebol seria realizada no Brasil após 64 anos, enquanto no campo político as eleições para presidente prometiam ser muito mais acirradas do que nas duas edições anteriores. Mesmo assim, muita gente foi pega de surpresa com o desenrolar destes dois eventos e como eles afetaram não apenas suas esferas (futebol e política) como também o cenário econômico. Diante de tanta turbulência, é possível tentarmos projetar como serão os próximos passos da economia do Brasil após a escolha do presidente da República?

A equipe de economistas do Bank of Tokyo tentou responder essa pergunta de uma maneira muito prática: projetou os dois desfechos possíveis eleição – a reeleição de Dilma Rousseff ou a vitória de um candidato da oposição. Com base em suas expectativas sobre o que cada uma das equipes econômicas faria logo após as eleições, o banco japonês trouxe, em relatório assinado por Carlos Pedroso e Mauricio Nakahodo, suas projeções para PIB (Produto Interno Bruto), inflação, câmbio e Selic para o biênio 2014-2015.

Confira abaixo os próximos passos se: 

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I) Reeleição de Dilma Rousseff: Selic será a única arma

De uma maneira geral, a reeleição de Dilma não resultará necessariamente em um cenário de continuidade econômica. Isso porque os economistas do banco trabalhavam com uma expectativa de controle de inflação por parte do Banco Central e estabilização da Selic em 11% ao ano até o final de 2015. Contudo, esse desenho econômico foi ao chão após o discurso da presidente no dia 1º de maio (dia mundial do trabalho), quando ela anunciou uma série de medidas que iam na direção oposta ao controle fiscal esperado pelo mercado – tais como o reajuste em 10% no programa Bolsa Família e a manutenção da política de reajuste real do salário mínimo. 

As palavras da presidente no feriado deixaram uma mensagem implícita para os economistas do Bank of Tokyo: “a política monetária continuará sendo o único instrumento do governo contra a inflação”, escrevem Pedroso e Nakahodo. Além disso, eles afirmam que passada as eleições deste ano só teremos um novo ciclo eleitoral em outubro de 2016 – quando serão definidos os novos prefeitos e governadores -, ou seja, haverá um espaço de tempo suficiente para medidas “impopulares”, tais como um aperto monetário.

“Por isso que nós revisamos nosso ‘call’ e agora esperamos duas elevações adicionais de 50 pontos-base nos juros, com a Selic para 12% ao final de 2014”, conclui a dupla de economistas do Bank of Tokyo. Para 2015, novos apertos virão, levando a taxa básica de juros para 12,75% em dezembro. 

A nova vitória de Dilma também manterá o PIB na faixa de 2,0% nos dois anos, enquanto a taxa de câmbio deverá ficar entre R$ 2,35 e R$ 2,55 ao longo do biênio. A inflação, por sua vez, deverá seguir “flertando” com o teto da meta do governo de 6,5%.

II) Vitória da oposição: austeridade e fim dos preços controlados

Caso um dos candidatos da oposição consiga vencer as eleições, a expectativa de Pedroso e Nakahodo é de medidas mais ortodoxas, com uma política fiscal mais austera e apertos monetários mais rígidos – em outras palavras: corte de gastos, aumento de impostos, fim dos preços monitorados e alta nos juros. Os economistas do banco se baseiam nesse cenário tendo em vista as declarações dadas pelos dois principais candidatos da oposição – Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB).

Embora o resultado destas medidas tão antipopulares possa ser negativo no curto prazo, os economistas do banco esperam que isso mude a perspectiva dos investidores para um crescimento sustentável do Brasil nos próximos anos, o que pode aumentar a confiança do mercado nos próximos 4 anos.

Uma das principais críticas do mercado financeiro ao governo de Dilma tem sido a gestão das empresas estatais, que tem priorizado muito mais os interesses do Estado do que a maximização do retorno aos acionistas – princípio fundamental de qualquer companhia de capital aberto. O caso mais emblemático tem sido a Petrobras (PETR3, PETR4), que como não pode repassar para o mercado interno os preços praticados no exterior – já que isso traria um duro impacto na inflação -, vem acumulando prejuízo financeiro à medida que a demanda por combustíveis cresce, visto que ela importa boa parte do produto para atender o consumidor brasileiro.

Esperando o fim dessa repressão de preços, o contrapeso esperado pelo Bank of Tokyo seria justamente um aperto ainda maior na Selic, como forma de inibir a disparada da inflação. Dessa forma, eles esperam que a taxa básica de juros encerre 2014 em 11,0% e avance para 13,5% em 2015, caso a oposição ganhe a disputa eleitoral. Já o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ficaria em torno de 6,5%.

Com tantas medidas de austeridade, a dupla do banco japonês trabalha com um crescimento no PIB de apenas 1% no 1º ano de mandato. Já o dólar, diferente do cenário traçado com uma nova vitória de Dilma, rondaria a faixa de R$ 2,35 ao longo de 2014 e cairia para uma cotação média de R$ 2,25 em 2015, sendo reflexo da melhora no humor dos investidores estrangeiros.