Política

O coquetel de Temer para evitar um incêndio na base e aumentar o apoio à PEC do teto nesta noite

Governo tenta mostrar força após risco-Cunha e em meio a preocupações com apoio à reforma da Previdência

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SÃO PAULO – De olho na votação em segundo turno da PEC 241, que estabelece um limite para o crescimento dos gastos públicos, a equipe do presidente Michel Temer passou parte do fim de semana monitorando possíveis focos de rebelião na base que pudessem atrapalhar a aprovação de projeto considerado vital para o ajuste fiscal planejado. Nesta segunda-feira (24), os esforços continuam, com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), organizando um coquetel em sua residência oficial com cerca de 300 parlamentares para tentar garantir um quórum elevado na terça, para quando está prevista a votação.

O sonho do governo, mesmo em meio a toda turbulência gerada pela prisão do ex-presidente da Câmara e deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), seria conseguir um placar mais elástico que o conquistado em primeiro turno, quando foram registrados 366 votos favoráveis e 111 contrários. A meta é tentar chegar o mais próximo possível dos 400 votos, o que seria uma demonstração de força do governo para as próximas votações e uma maneira de comprovar que o novo capítulo da Operação Lava Jato não balançou a base aliada, apesar do risco de uma delação de Cunha despontar no horizonte.

Em evento em São Paulo, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou que o governo hoje conta com 414 deputados aliados, o que, segundo ele, representa a maior base desde a redemocratização, superando até mesmo o apoio que os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva contavam em suas gestões. Os recados do ministro visam mostrar que o governo terá capacidade de aprovar a reforma da Previdência, próxima medida do ajuste econômica, tida como pauta mais delicada e de difícil apoio no Legislativo.

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As expectativas do relator do projeto, Darcísio Perondi (PMDB-RS), são de que o governo terá dez votos a mais, uma vez que deputados que se ausentaram na primeira votação já confirmaram presença na capital Federal amanhã.

Na outra ponta, além do fator-Cunha, pode limitar a elevação nos votos favoráveis ao projeto a rejeição de parte do PSB. No primeiro turno, o projeto do governo recebeu voto contrário de dez dos 32 deputados do partido, sob a justificativa de possíveis prejuízos às eleições municipais. Projeção informada pela Agência Estado aponta para 12 votos contrários da bancada desta vez, em meio às expectativas de abstenção de dois nomes que votaram com o governo.

O líder do PSB na casa, deputado Paulo Foletto (ES), fará uma cirurgia amanhã e a orientação da bancada ficará a cargo de Tadeu Alencar (PE), um dos nomes na sigla a liderar a resistência à PEC. O governo deverá procurar o governador Paulo Câmara, aliado de Alencar, para tentar reverter o problema.

Apesar de se esforçar para conquistar um placar mais elástico que o obtido em primeiro turno, Padilha reitera que o importante é ter os 308 votos necessários para aprovar a PEC. Ele sustenta que “o que vier acima disso é lucro”. No entanto, conta o ministro que foram observadas 48 defecções na base no primeiro turno e agora o governo analisa caso a caso para evitar repetição do problema, mas sem deixar de lado os esforços para segurar o apoio obtido antes.