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Aumento do efetivo, bonificação por apreensão de motos, criação de uma “universidade” para treinamento e compra de armamentos mais pesados estão entre as medidas que o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), implementou na Guarda Civil Metropolitana (GCM) e pretende usar como vitrine.
Nunes tem concentrado esforços na segurança pública, em meio à crescente preocupação da população com a área e de olho em se projetar como possível sucessor do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), principalmente caso o aliado dispute a Presidência.

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O investimento se intensificou após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), no início do ano passado, que deu às guardas civis a prerrogativa de realizar policiamento ostensivo. A mudança abriu espaço para uma reconfiguração da corporação.
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A primeira ideia da prefeitura foi rebatizar a GCM como “Polícia Municipal” — proposta aprovada pela Câmara, mas barrada na Justiça. A gestão ainda tenta reverter a decisão.
Paralelamente, uma série de outros incentivos foi criada. Para enfrentar a onda de crimes cometidos por motociclistas, Nunes instituiu uma bonificação para guardas que apreendessem motos roubadas ou adulteradas.
Como mostrou O GLOBO, a medida multiplicou por oito o número de apreensões semanais, mas também levantou questionamentos sobre possíveis desvios de função, segundo especialistas.
Criação de universidade
No fim de outubro, a Câmara aprovou a criação da “Universidade da GCM”, que substituirá a atual Academia de Formação em Segurança Urbana, ampliando o foco em capacitação e treinamento técnico dos agentes. Outro pilar da estratégia de Nunes é o Smart Sampa, programa de monitoramento por câmeras lançado em 2024.
O investimento na iniciativa deve saltar de R$ 45,2 milhões, em 2025, para R$ 240,6 milhões em 2026. O plano prevê dobrar o número de câmeras — de 20 mil para 40 mil unidades — e incorporar equipamentos com visão noturna e alcance de até 20 quilômetros.
A reestruturação é bancada pela Secretaria Municipal de Segurança Urbana, cujo orçamento deve crescer 26,2% em 2026 — de R$ 1,45 bilhão para R$ 1,83 bilhão. A maior fatia (R$ 92,3 milhões) será destinada à manutenção e operação da GCM.
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A aposta de Nunes na segurança não é por acaso. Em todo o país, o tema aparece como a principal preocupação do eleitorado. Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada em outubro, mais de 30% dos brasileiros citam a segurança pública como o maior problema do país — percentual que fica à frente de questões sociais, economia e corrupção.
A centralidade do tema da segurança reacendeu disputas de protagonismo entre as diferentes esferas de governo. Em São Paulo, mesmo aliados, Tarcísio e Nunes travam uma silenciosa competição por visibilidade. Um exemplo é o policiamento da Avenida Paulista, que recebeu reforço tanto da Polícia Civil quanto da GCM. Quem atravessa seus 2,7 quilômetros vê ao menos uma viatura por esquina.
A presença ampliada reduziu os crimes na via — o que não pode ser dito das ruas paralelas —, mas a ação não foi coordenada. Segundo interlocutores, nem a Secretaria de Segurança Pública (SSP) estadual nem a Secretaria Municipal de Segurança Urbana quiseram abrir mão do cartão-postal, reforçando a presença de suas corporações.
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O mesmo ocorre com os programas Smart Sampa e Muralha Paulista, projeto de monitoramento do governo estadual. A iniciativa municipal ganhou mais projeção, apesar da diferença de escala, e tem sido replicada em outras cidades e estados.