Novo pacote para as montadoras de Detroit pode aparecer nos próximos dias

Obama praticamente confirma a possibilidade e Senador alimenta rumores; sem mencionar data ou valores, certeza é de resistência

SÃO PAULO – Depois de um período de menor exposição, as montadoras de Detroit voltaram às manchetes nesta quinta-feira (26). Além do acordo firmado pela General Motors com trabalhadores, crescem os rumores de que a equipe de Obama deve anunciar novo pacote de resgate ao setor nos próximos dias.

A possibilidade foi levantada após coletiva de Barack Obama nesta manhã. Apenas com perguntas de eleitores, a entrevista destacou perspectivas para economia e o volume de gastos do governo. Em resposta a uma eleitora do estado de Maryland, Obama ressaltou a piora no nível de vendas de automóveis no país e a importância social do setor.

O presidente norte-americano deixou claro que irá além para melhorar a situação de companhias como Chrysler e GM, responsáveis por milhões de empregos diretos e indiretos. Ainda assim, não esqueceu de mencionar a preocupação com o contribuinte, mas deixou escapar que um novo plano deve ser anunciado em breve.

Para reforçar

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O senador Carl Levin, de Michigan, havia declarado na véspera que “está claro” que mais ajuda para o setor já está no caminho. As palavras de Obama nesta quinta-feira praticamente confirmam a elaboração de um novo modelo de reestruturação para o setor.

Obama não pontuou um prazo para revelar a nova ajuda, tampouco citou valores concretos. O mercado trata de especulá-los. Ganha força o sentimento que o próximo dia 31 de março pode concretizar a notícia, isto porque é o prazo final estabelecido pela equipe econômica que cuida do caso para as empresas provarem ser viáveis no longo prazo.

31 de março?

Mesmo com a data sendo apontada por parte do mercado, algumas barreiras podem postergar um anúncio oficial. A resistência aos aportes do governo Obama é crescente no Congresso, que já mostrou aversão a injeções bilionárias na economia sob o argumento do contribuinte, principalmente por sua fatia republicana.

Com as últimas iniciativas, a pressão dos partidários em relação ao orçamento governamental se multiplica. Paralelamente, o episódio com os bônus a funcionários da seguradora AIG, que recebeu resgate superior a US$ 170 bilhões, é argumento extra aos oposicionistas.

Pressão

Consultadas pela agência CNBC, Chrysler e GM não se pronunciaram sobre o fato. Nos últimos meses, diversas notícias veiculadas na imprensa internacional apontavam para a tentativa das montadoras em receber mais ajuda do governo.

Já foram injetados US$ 13,4 bilhões na General Motors e US$ 4 bilhões na Chrysler. Ainda assim, no momento destes aportes, a dívida da primeira, por exemplo, passava de US$ 47 bilhões.

As ações da GM disparam mais de 13% em Nova York com o acordo anunciado e possibilidade de novos resgates. Os papéis da Ford, que ainda não recebeu recursos do governo, sobem 5,4%.