“Nosso primeiro objetivo é diminuir a abstenção”, diz Lula

No primeiro turno, mais de 20% dos eleitores não compareceram às urnas, maior índice desde 1998; historicamente, abstenção é maior no segundo turno
O ex-presidente e candidato Luiz Inário Lula da Silva (PT) vota em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, neste domingo (2), no primeiro turno das eleições de 2022 (Foto: DANILO M YOSHIOKA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO)
O ex-presidente e candidato Luiz Inário Lula da Silva (PT) vota em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, neste domingo (2), no primeiro turno das eleições de 2022 (Foto: DANILO M YOSHIOKA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO)

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT à Presidência da República, admitiu, nesta quinta-feira (20), que a grande prioridade de sua campanha nos últimos dez dias antes do segundo turno é convencer eleitores a comparecerem às urnas em 30 de outubro.

No primeiro turno das eleições deste ano, o percentual de eleitores que não foram votar foi de 20,9% – a maior taxa desde o pleito de 1998, vencido por Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

“Eu estou convencido de que o nosso pessoal tem que continuar indo para a rua e visitando as pessoas que não votaram e que estão indecisas. O nosso primeiro objetivo é diminuir a abstenção”, disse Lula, em uma entrevista coletiva no Rio de Janeiro (RJ). “É tentar convencer as pessoas de que, se elas votarem, estarão contribuindo até para falar mal amanhã de quem elegerem.”

O ex-presidente afirmou que a pesquisa do Datafolha divulgada na quarta-feira (19) – que apontou uma vantagem numérica de 4 pontos percentuais de Lula sobre Bolsonaro, um quadro de empate técnico no limite da margem de erro – serve como alerta para a campanha do PT.

“Eu não comento pesquisa, não vi o Datafolha ontem. Mas estou informado sobre a pesquisa e acho que serve apenas para nos alertar. Falta pouco mais de uma semana. Nós estamos disputando o voto de abstenção, das pessoas que não foram votar no primeiro turno”, disse Lula.

“A eleição está muito parelha, muito disputada, tem muita gente indefinida. Fica cada vez mais apertado o número de pessoas que a gente tem que convencer a votar”, completou.

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Historicamente, a abstenção nas eleições brasileiras é maior no segundo turno. Uma das causas é o fato de que em muitos estados a eleição estadual já terminou na primeira votação. Sem ter de votar novamente para governador, muitos eleitores se sentem menos motivados a sair de casa para registrar um único voto na urna eletrônica.

Em geral, estados em que não há segundo turno apresentam índices de abstenção de 1 a 2 pontos percentuais maiores do que nos locais em que a disputa estadual permanece aberta.

Além disso, é consenso entre os analistas, com base em dados trazidos por diversas pesquisas, que os eleitores do presidente Jair Bolsonaro têm se engajado mais que os de Lula nessa eleição. Mais interessados e mobilizados, os apoiadores do candidato à reeleição, em tese, têm maior propensão de comparecer às urnas do que os simpatizantes de seu adversário.

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“O nosso adversário tem uma máquina poderosa de contar mentiras. Não é pouca coisa a rede que o meu adversário utiliza para vender monstruosidade e contar mentiras”, afirmou Lula. “A rede social dele é muito grande. A nossa rede é muito boa, mas é muito difícil a gente competir com robôs”.

Apesar da aproximação de Bolsonaro nas pesquisas, o ex-presidente mantém o otimismo sobre o desfecho da eleição. “Estou certo de que nós vamos ganhar as eleições. Tem essa enxurrada de dinheiro que está sendo colocado pelo governo, a liberação do FGTS… Mas, no fundo, ele tem ganhado alguns pontos muito lentamente”, afirmou. “Acho impossível ele tirar a diferença em uma semana, mesmo contando as mentiras que eles contam”.


Jornalista formado pela Cásper Líbero, é pós-graduado em marketing político e propaganda eleitoral pela USP. Trabalhou no site da ESPN, pelo qual foi à China para cobrir a Olimpíada de Pequim, em 2008. Teve passagens por Metrópoles, O Antagonista, iG e Terra, cobrindo política e economia. Como assessor de imprensa, atuou na Câmara dos Deputados e no Ministério da Cultura. É autor dos livros “Dias: a Vida do Maior Jogador do São Paulo nos Anos 1960” e “20 Jogos Eternos do São Paulo”